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Lições do Desconnforto

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Uma vez ou outra na vida nos deparamos com o desconforto. Seja ele proveniente de uma dúvida, uma quimera, uma dor física que desconhecemos a origem, uma dor na alma proveniente da sensação de não termos tomado o rumo certo. Nos sentimos meio perdidos na vida, no desconforto da insegurança. Não vemos borboletas, apenas traças que rapidamente destroem as névoas de lembranças boas, de dias felizes e de esperança. E, assim, como quem quebra um osso precisa de ortopedia para superar a dor, necessitamos com urgência ir em busca do nosso nicho, o nosso grande tesouro interior. Um banho quente, uma roupa macia, uma música bela, um por do sol... Uma viagem real ou de sonhos. Lembranças de amigos, reais ou imaginários. Rever aquele filme que tanto gostamos. Entrar em contato com nosso próprio templo e fazermos uma prece. Esquecermos um pouco o rigor e assumir uma postura mais flexível e nos perdoarmos intimamente por maior que tenha sido a burrada porque vida é processo contínuo de aprendizados...

Resgate

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Você me amordaça e me tira a graça... Depõe contra mim. Me estilhaça. Me joga no chão e tripudeia. Como se não tivesse nem sangue na veia. Me cobra dobrado o bem que pensa que me fez. E eu que não sou dama de um baralho. Te deixo jogar sozinho. Me escolhe as vestes, os meios e os fins. E meu grito oprimido é meu silêncio vendido em módicas prestações. Um silêncio que ninguém entende nem quer entender. Um silêncio de mulher que sabe que na hora certa vai vencer. E enquanto você fala para uma palestra invisível eu finjo que não vejo. Eu finjo que beijo. Eu finjo que não sei. E nesse patins sem rodas eu desfilo pela vida. Deixo que me joguem pedras. Deixo que me condenem sem contraditório. Calada, deixo morrer a poesia. Calada, tremo em face ao abismo. Calada, eu já nem cismo. Mas ainda há amor. Um amor que vinga e adormece embora acompanhe sua pasta de notas fiscais... Seus telefonemas em código. Suas fugas para além do cais. Já não tenho medo porque guardo um segredo. Falo em dialeto ci...

Mosaico

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Pieta Penso em traduzir sentimentos. Dores, silêncios, lamentos... A vida? Desenho a giz. Trago uma caderneta de aprendiz. E assim me refaço. Trago novas rugas num sótão de ausência. Não quero regras. Um catavento como referência. Menos cismas e mais paciência. Um bem-te-vi me acorda todas as manhãs. Sem que eu perceba, meu coração se abre em festa. Aparo as arestas. Colo-me em mosaico de tons pastéis. Intensa, me agarro nos momentos. Guardo frases de recordação. Um mapa mundi na palma da mão. Por vezes navego na contramão do previsível. E cochilo à sombra do irremediável. Do sem costume. Do sem jeito. Do bem que sinto e guardo no meu peito. Que se extravasa na amplidão do mar. Alyne Costa

O Amor Sem Bordas

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E eu aprendi a amar um amor sem bordas. E tenho a sensação estranha de que eu não deva desistir. Absurdo ver o amor derramando numa imensa vontade de ser una. Una com essa manhã cinza de um frio fora de tempo. Una com essa vontade de ter a pele dele. ( O absurdo é tão somente o que não aceita um desafio? É apenas aceitar a regra imposta? Como se o dito fosse um rito... O absurdo é não poder mais amar; ) Una com uma vivência mais natural. Una com toda a natureza, com a paz e com a autenticidade de reagir. ( Mas ele é apenas um menino de 21 anos que eu aprendi a amar loucamente, amar cada suspiro dele e cada minuto dessa ausência insana. ). Não há coerência na paixão. Eis sua razão de ser. Mas no amor tudo é coerência, tudo é de uma harmonia sublime. O amor sem bordas sabe não ter rumo certo, sua coerência está na imprecisão, mas ainda assim ele é fértil, manso, quase caipira. E de tão frágil e ao mesmo tempo intenso, vai construindo teias. Relendo antigos versos. Ouvindo as canções mais...

Eu sei...

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Tava querendo brincar de brincadinho..... Eu, assim, de amor assustadinho... De saci pererê, Eu atrás de você! De mula-sem-cabeça: Você quando der, apareça! Mas vc resolveu morar em meus lençóis. Formar em minha mente uns nós! E eu que sou gente que sente, Gente, sabe, assim, meio diferente... Resolvi fugir dos seus laços. Guardando horas pros teus abraços. Eu: Guardo um mundo pra ti! Eu que sou o seu bem-te-vi! Que sempre sobrevivi! Que nunca de amor morri... E você me leva pra Pós... Eu meto isca nos anzóis... Eu arremato o algoz. Sou fera e caçador. Sou fêmea pra toda dor. Eu sei parir sem chorar. Eu sei sorrir sem flutuar. Eu sei amar sem chorar. Sim... Eu sei! Alyne Costa, 8/10/11

A Filosofia

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Como num laço, me desfaço... Não fui feita em linha reta. Não quero seta. Quero um raio de sol e a porta aberta. Abro mão das meias verdades. Já saltei os muros da dor. Corre em minhas veias a solidão que entorpece. Lenitivo e veneno. Caminho seguro da alma que envelhece. E sabe os riscos de saber demais... E a angústia de nada saber. E o que falta é a filosofia... Que me visita a cada dia. No seu olhar de alegria. Alyne Costa 4/09/11

Aprendendo Amar

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Todos os domingos pela manhã ele vai à missa e me convida. Eu não consigo me levantar porque gosto muito de dormir até mais tarde... Aí quando ele volta sempre traz flores e coloca do lado da cama. E essas flores, sempre as mesmas, já compõem a paisagem do meu domingo. Ele faz milagres. Me cura, me salva, me afaga e me beija. Eu sou distraída e tenho o desespero dos poetas. O que machuca a ele dói demais em mim e eu desabo. Porque nessa comunhão de vida, eu pude então conhecer a força de um afeto. Na minha desordem ele acha fotografias, um velho ponche que ganhei de meus tios na infância e me traz de volta o caminho. Mora em mim uma tristeza latente que ele não compreende porque ele é pra fora e eu pra dentro... Ela é discurso e eu silêncio. Ele é meta e eu improviso. Ele é mesa ornada aos domingos, eu bóia-fria... Mas ele é aconchego e eu também... Somos ternura, delicadeza. Ele foi minha mega sena. Ele me deu disciplina. Ele está na minha fundação e eu lhe faço mass...

Dona Culpa

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Hoje amanheci com culpa. Culpa porque ele pediu e eu tirei a roupa, aquela roupinha linda de dona de casa que você me deu... Talvez tenha sido isso, a roupinha era confortável demais e eu gosto de asperezas. Eu sei que você vai querer me colocar no colo e tirar de mim essa sensação ruim e certamente vai jogar toda culpa nele, mas não. A culpa é minha! Não, ele não me tocou, não dessa vez... E eu não permitiria que coisa alguma acontecesse, eu só queria mesmo tirar aquela roupinha de dona de casa em fino estilo. Por isso acordei tão cedo... Por isso não fiz o café... Por isso eu disse te amo como quem pede desculpas. Certa ocasião uma amiga comunista me disse que culpa era um sentimento burguês. Eu aboli culpa de minha vida. Mas hoje ela veio toda saliente, sussurrando em meu ouvido: -Traíra! E eu confesso que temo não ter coragem de olhar aquela roupinha de novo, com suas florzinhas amáveis, seus delicados babadinhos. Roupinha de dona de casa assistir novela! E eu tir...

A visita

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Ele não visitou minha rua esta manhã como há semanas costumava fazer, com seus passos largos que prolongavam a calçada. Não ajudou as velhinhas a atravessarem as ruas com suas sobrinhas coloridas, cujos desenhos me roubavam a sensação de dia de chuva e me transportavam para dentro de suas casas como se me convidassem a tomar um chá e com ela iniciasse diálogos sobre tempos de normalistas, filhos doutores e novas faxineiras. Não parou em frente ao jornaleiro para ler as manchetes e nem comprou um maço de cigarros. Por lá não passou... Não brincou com as crianças que entravam e saíam nos braços e nas mãos de pais e mães nervosas da clínica de emergência infantil. Não pegou a condução e não foi ao cinema. O vendedor de canetas coloridas continuava adentrando todos os ônibus oferecendo seus produtos, motoristas e cobradores também eram os mesmos, mas ele não estivera em nenhum assento. Na missa das 17 horas na capela do hospital o capelão pregava para os mesmos fiéis seu sermão cheio de fi...

Carimbos

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Queria colecionar carimbos. Não se irrite. Não de palpite. Não dê as caras. É brincadeira. Pura besteira. Já basta. Não ligue. Por carta. Por e-mail. Inútil. Perfeito. Superficial. Estreito. Raso. Profundo. Oceano. Mundo. Alyne Costa 8/07/11

Amar Tanto e Até Morrer

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Onde mora a minha dor? Habita o meu silêncio e permeia meus sonhos. Desenha a minha distância nos morros de um caderninho encantado. A minha letra borda em suas páginas correspondências. Cartas de amor. Cartas de despedida. Cartas de boas vindas. Algumas lições de esperança capturadas no olhar da menina de tranças. Onde mora o meu perdão? Nas flores de maio que nascem na palma de minha mão. No meu velório e na minha primeira comunhão. Numa saudade que transborda as veias do coração. Veias e esquinas. Veias e alamedas. Veias e praças repletas de flamboyants. Onde moram meus vícios? Na sede de desespero e riscos. Nas chagas da incompreensão. No abandono e na solidão. Na solidariedade e no dividir o pão. Onde mora o meu amor? No meu olhar que mareja. Na alma que inteira viceja. No corpo que ele beija. E até numa certa agonia... Que persegue noite dia... Este peito de poeta. Que já não reconhece as setas de ser só e uma só ser. E, por tristeza ou quebranto, capaz de causar espanto. Ama tan...

Na Hora da Tristeza

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Tem dias em que a gente amanhece nublada pela nódoa de uma incompreensão qualquer... Nenhum beija-flor aparece na janela, suas certezas todas se rompem e você se recolhe num cantinho da sua insignificância perante o universo e simplesmente assiste. Simplesmente é hora de deixar as preocupações irem embora, talvez acordar com os olhos meio fechados, mas ainda assim procurar seu nicho. Algumas coisas maculam a amizade: incompreensão, preconceito, desrespeito, grosseria, ingratidão, mal entendido, fofoca, intriga, inveja, machismo e um rol imenso que podem trazer sensações de amargura, que trazem aquele gosto de ferrugem na boca e a certeza que seu incômodo é o carimbo da sua diferença. A fé não morre, nenhuma crença, mas você se vê sem suportes e se depara ante a fragilidade dos laços dessa vida. Na amizade não cabe disputa porque amizade não é luta. É muito arriscado brilhar! Mais arriscado ainda é se calar... Certo é que divergências sempre existirão, questionamentos, crises e tudo te ...

Brilho das Estrelas

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Mora no tremor das minhas mãos um sonho... Um sonho que assina com o sobrenome de: Esperança. Do meu sonho não aniquilar nenhum outro sonho humano. Do meu sonho ter par e ter alguém pra dar passos juntos. Pelo sereno das madrugadas... Por deleites entre almofadas... Por passeatas coloridas. Onde todos brilhem na sagrada utopia. Pela qual muitos morreram um dia. Para que estes muitos sonhos ganhassem as ruas, ganhassem voz. Marchassem por todas as formas e expressão da Liberdade: Matriz primeira. Sou poeta e somente compreendo o que o meu amor comporta. A minha luta de poeta também é revolucionária e não é vã. Por vezes é uma luta que emudece... Notras se cala quando pertinente... Tenho ainda por hábito risos sinceros e lágrimas verdadeiras. E, assim, consigo ver o brilho de todas as estrelas! Alyne Costa, 20/06/11 “EU QUERO PODER PRA PODER AMAR!”Tonho Matéria

Poema de Mulher

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Ai, meu poema sem beirais nem cais Que mais nem suporta meus ais... Que é febre quando o corpo ainda não dói. Que é boca seca de palavras belas. Meu poema que trancou as janelas. Para nascer do frio e da escuridão. Do meu peito torto e de aleijão. Do sangue que passeia nas veias. Do copo que escorre das mãos. Ai, meu poema triste... Feito da maior dor que existe. Da histeria e da consagração. Vai meu poema manco. Abre o jornal e lê sobre o assalto a banco. Navega os mares que não existem mais. Beija princesas. Honra rainhas. Mulheres tuas. Mulheres minhas. Ai meu poema chulo. Fala travessuras no escuro. Diz que ama. Diz que goza. Diz que quer. Ai, meu poema de mulher! Alyne Costa 6/06/11

Abraçando o Desespero

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Parecia que andava de patinete por alamedas de um sonho doce. Uma fragância suave de jasmim me invadia e eu tinha vontade de viver de novo aquele viver inocente da infância não essa vida às avessas cheia de pressas e falsas respostas. Eu lia os versos de Manoel de Barros e observava uma tela de Gustav Klimt e tinha uma súbita certeza que algumas pessoas são oníricas e necessárias a existência das outras porque o ser humano sem sonho está fadado a morrer de fome da vida. Eu já havia tentado toda espécie de cura para meu desespero. Confesso que já havia feito consulta a uma médium que me fizera tomar um banho de schincola que me rendeu uma boa gripe, mas a cura não vinha... A minha indignação morava solitária em meu peito junto com um grito preso na garganta, feito feto morto que não saía e minha barriga crescia como se vida havia ali dentro, mas não era vida, era dor. Eu seguia grávida daquela arbitrariedade que tirara o chão e me fazia ter sentimentos ocos que não me agradavam porque d...

Gaiola

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Imagem retirada do Blog http://jornale.com.br/petblog/?p=601 Ainda não sei a cor do caminho, mas vou... Sem pressa, sem medo, sem pacote E se ele estiver em flor, eu abro um sol E se estiver nublado, aparo a queda Eu vou ali comprar um batom Tirar uma medida Tomar uma média E se ele for setembro, eu fevereiro E se ele chorar, rabisco a lua E se ele não for? Eu nem metade E se ele não aparecer? Eu, sim, saudade... E se ele for Caetano, eu canto o Tom E se for amanhã? Eu Djavan... E se não for bem assim? E se não for urgente? E se não for prece? Eu oração.... Eu busco um guia, carrinho de mão... E se era pra ontem? Eu já nem sei. E se acabou? Precipitei. E se ele for saturno? Eu sou de lua... E se ele nem souber? Porra, que intua! E se desistiu? Não leu os sinais? Eu corro atrás. E se for de mármore? Eu, astronave. E se voou? Um novo amor. Alyne Costa Do livro 29 Fragmentos

BLOG PROG BA

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A dinâmica da comunicação na internet atravessa um momento inimaginável. Os movimentos sociais alcançaram escopo dentro da rede e podemos mensurar que ao lado da mídia tradicional temos outras alternativas à sociedade, de fácil acesso e baixíssimo custo. No último pleito eleitoral presenciamos a força dos blogs e das redes sociais no processo, com os políticos buscando compreender e agir neste contexto. Não é exagero algum afirmar que muitos blogs destruíram factóides políticos criados com escopo de prejudicar a candidata Dilma Houssef e a proliferação dos mesmos facilitou o esclarecimento do eleitor, engajando-o melhor na disputa eleitoral. Recentemente estão ocorrendo no Brasil os Encontros Estaduais de Blogueiros Progressistas, tais como em São Paulo e Rio de Janeiro, dentre outros, todos preparatórios para o Encontro Nacional que será sediado ainda este ano em Brasília. Tais encontros, propiciando a vivência e discussão entre os participantes da blogosfera em efervescência, além de...

A Vida

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Meu gato senta em meu colo e sussurra: -A vida é curta... O barulho da motocicleta sugere: -A vida é ritmo... O japonês do balcão segreda: -A vida é lânguida. No velho rádio Gonzaguinha ainda canta: “O que é o que é, meu irmão?” A amiga obstinada chora: -A vida é o choro do filho que eu não pari! O irmão diz: -Relaxe... O poema de Drummond decreta: “-A vida é breve e o amor mais breve ainda.” Mas meu coração... Ai, esse tolo, sem assunto, sem atenção, grita aos meus ouvidos: A vida é ele! Alyne Costa

O Amor Sem Bordas

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E eu aprendi a amar um amor sem bordas. E tenho a sensação estranha de que eu não deva desistir. Absurdo ver o amor derramando numa imensa vontade de ser una. Una com essa manhã cinza de um frio fora de tempo. Una com essa vontade de ter a pele dele. ( O absurdo é tão somente o que não aceita um desafio? É apenas aceitar a regra imposta? Como se o dito fosse um rito... O absurdo é não poder mais amar; ) Una com uma vivência mais natural. Una com toda a natureza, com a paz e com a autenticidade de reagir. ( Mas ele é apenas um menino de 21 anos que eu aprendi a amar loucamente, amar cada suspiro dele e cada minuto dessa ausência insana. ). Não há coerência na paixão. Eis sua razão de ser. Mas no amor tudo é coerência, tudo é de uma harmonia sublime. O amor sem bordas sabe não ter rumo certo, sua coerência está na imprecisão, mas ainda assim ele é fértil, manso, quase caipira. E de tão frágil e ao mesmo tempo intenso, vai construindo teias. Relendo antigos versos. Ouvindo as canções mais...

Hora de Um Café

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E uma absurda felicidade me invadira com o frio daquela manhã. Morava no cinza daquelas nuvens. No rádio que alternava notícias e canções que eu não dava muita importância porque fazia um absurdo silêncio em mim... E enquanto o silêncio reinava eu sentia fome e tive vontade de um café que não veio porque eu tinha preguiça de me desgrudar da coberta. Queria abraçá-la assim pelo resto do dia, deixando na mente reinar fantasia. O telefone tocou, mas quando atendi a ligação caiu e não havia como retornar porque era um número não identificado e nada importava porque eu também não me lembrava qual era a data nem que dia da semana. Não tinha mesmo nenhum compromisso. E nem mesmo aquela preguiça e sua felicidade eu precisava identificar porque nenhuma palavra a traduziria, talvez alguma canção, um hino ou recordação de infância... E entre tanto dormir e acordar eu acabei sonhando com maçãs do amor coloridas o que me trouxe de novo uma fome diferente de nada que existia na cozinha. Era uma espé...