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 Solidão no Front Soldados partiram Deixxaram suas mães Suas amadas Alguns soldados voltarão Outros sucumbirão Para isso se fazem os soldados Como se não fossem amados Como se nas trincheiras não brotassem sonhos Como se independente das cores de uma bandeira Suas vidas pulasem barreiras São tão jovenss, mal aprenderam a amar São tão jovens para não retornar Para isso fazem as guerras Para que se morra de amor. Alyne Costa 2026
 Féretro Nesse sol de setembro que nasce Tenho a solidão que escolhi Rabisquei-a a grafite Muros pinchados Bilhetes rasgados Segredos em notas O muro alto me transporta Nua, abro a porta Me deleito noparapeito da janela Namoro a lua, a rua e durmo entre gritos atônitos e sorrisos mudos Creio que meu amor foi embora mundo afora E nesse rumnar da saudade do que não foi vivido Sou espectadora do frio silêncio Dos domadores de lobas Alyne Costa, setembro de 2026
  Testamento   Ouvindo canções eu me vi só Só como sempre fui, com os rabiscos no papel ofício Como Zuzu Angel... Como Renatas, Ritas e Déboras. Me vi só e lembrei seu primeiro olhar. Os gestos marcam uma vida inteira. Não titubeie, ainda somos os mesmos. Somos o primeiro choro e a primeira gargalhada Leve o meu riso feliz, algumas dipironas e a lembrança do meu amor. Alyne Costa, 10/11/2025  
  A Mãe e a Repartição Eugênia chegava cedo na repartição, olhos cheios de olheiras das noites mal dormidas pelas dores que lhe acometiam, doía da nuca à sola do pé. Após falar com os colegas e a chefia abria o computador e fazia suas orações, seu ofício de lidar com gente era repleto do inusitado. Aos 40 e poucos anos um erro de diagnóstico havia aumentado e muito seu peso, corticoide, estava transformada e era raro algum amigo antigo lhe reconhecer. Sentava-se quase escondida, mas alguns dias observava de longe um jovem de olhos parados, observando o ir e vir das pessoas com um classificador talvez com seus documentos mais importantes, parecia pronto a fugir a qualquer momento e trazia no olhar sempre uma despedida. O rapaz às vezes passava horas ali como se hesitando em tomar alguma decisão importante, e seu olhar carregado observava atento o entra e sai da repartição, de vez em quando parecia esquecer seu problema e papeava com alguns cidadãos com um distraído sorriso...
  Não ser ou ser normal? “Um diagnóstico não resume a sua história, um transtorno não te define” Postou minha psicóloga a semana passada e eu acho que ela bebeu na fonte desse pensamento:   "Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância" . Simone de Beaouvoir Fontes à parte, cai a matutar e a dialogar com minha amiga Alice domingo passado e resolvi escrever sobre isso hoje... A vida não é linear, você não pode se prender a nenhum rótulo ou diiagnóstico posto que a psique humana não é um bolo com receita perfeita, ela muda, o ideal sim é se cuidar e buscar no diagnóstico um ponto de partida para fazer e dar o máximo de si para viver bem. Tomar medicamento sim, bonitinho, mas ir além, ousar, crescer e até às vezes dar um passo atrás para poder dar dois à frente. No mundo pós pandemia o conceito de normalidade que há muito já vinha sendo questionado, mudou. O que é ser normal, quem é normal? Um transtorno de fato não...
 Rosa  Tens a beleza das rosas eternas Aquelas que nascem e amadurecem belas por natureza Singularmente és bela Cálida e ainda que, às vezes escondida nas nódoas do tempo, Tem a ternura das rosas brancas Que pairam mansas em nossas vidas ainda que por raros momentos Assisto tuas pétalas ao vento primaveril, serenando e orando Ainda que as asperezas da vida tentaram tirar-te a beleza Absoluta pairas nos jardins suspensos da modernidade A eterna rosa de meu pai. Alyne Costa, 31/10/2025
  Sobre as dobras do blusão Hoje cedo, meu velho e querido compa Marivaldo (mais querido do que velho) me mandou uma canção de Ednardo que eu adoro e logo em seguida entrou na playlist canções do Belchior e eu fiquei pensando, nada mais latejante na alma do que as canções de Belchior. Na canção Coração Selvagem ele diz: “Quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar que é pra eu ter tempo de me apaixonar.” Isso é tão eu, tão recomendável e sublime, eu não deveria estar mais apta a paixões, sentimento para alguns etaristas muito juvenil, mas a paixão, que segundo Belchior mora na Filosofia é um sentimento que me move e me transmuta, me traz significados e êxtases. Eu preciso de paixões para meu estar melhor no mundo, para acelerar a minha criatividade... E você pode se apaixonar várias vezes e até pela mesma pessoa várias vezes, o amor é mais leve e mais tênue, mas a paixão, ah, nada melhor que a paixão para nos tornarmos locomotivas na vida. Por isso eu sugiro (ah...