Posts

Comendo Poesia

O poeta pintou na testa um poema azul Que dizia que todos eram loucos e amavam O poeta deu a volta ao mundo em sua bicicleta amarela Era poeta e era tagarela O poeta musicou a avarez da tia Eu não quero dinheiro Sorria e dizia Amanhã: Eu vou comer poesia! Alyne Costa 29.11.14

A Camponesa

Hoje eu sou a camponesa vestida de azul Me embrenhando na mata escura Dando adeus à amargura Hoje eu sou a camponesa sem terra Com as mãos calejadas De facão e enxada Tiro do cio da terra meu de comer Meus filhos trazem risos soltos E eu fico à espreita do que pode lhes causar dor Hoje eu sou a camponesa vestida de amor Muitas vezes injustiçada, calada, ameaçada Ante o sereno e a madrugada Mas tenho um companheiro que me ama E o cio enfeita de prazer a nossa cama Hoje eu sou a camponesa vestida de vida De roupa alegre e atrevida E miro a flor que me destes de presente Sou fêmea e sou diferente Na busca da lida e do pão Sou rezadeira e tranquila Minhas comadres são minhas irmãs Cada uma com uma cor que é sua Dançando ciranda sob a luz da lua Alyne Costa 28/07/14 Insspirado lo Livro "Dez Mulheres Muitas Vidas" de Scheilla Gumes e Adenor Gondim

Desencanto

Ele reclama porque me sento de pernas cruzadas Meus delírios retornam E eu não durmo Imagino o apocalipse Desconfio de todos E sinto muito medo Ele pergunta a  razão da ausência do meeu sorriso Mas  eu sou triste Tenho uma dor profunda que persiste Ele é alegre Leve e comunicativo Eu me trancafio nas minhas fraquezas Meu encaanto partiu Pra algum lugaar deserto E ainda assim Quero eele por perto Alyne Costa 21/06/14

Casa

No Pé de Oiti os pássaros bailam A minha morada é um ninho De passarrinho E de vez em quando esqueço as cortinas abertas Dores querem adentrar pelas frestas Não permito! Solto um grito histérico Hoje a casa é suavidade É feriado e chuva Meu recanto nessa cidade Me aconchego na velha colcha de retalhos A minha casa não é pequena E sob medida pro meu amor. Alyne Costa 19/06/14

Canção

Faz frio Tomo um cafe Assisto uma partida de futebol E esqueço o cigarro A pressão abaixa O sorriso de Jô voa na cozinha Quero fazer um poema Que a mão trema Que os anjos sorriam Que a   tarde caia Como cai um corpo abatido Quero fazer um poema Que denuncie a   violência Que acenda uma nova crença Alyne Costa 14/06/14

Desatino

Suor frio nas mãos, escrevo um poema Perdida num labirinto Já não sei o que sinto Um calafrrio me percorre a espinha Ele usa calcinha Ela luta box e ouve rockn'roll Um profeta seem barbas lê o apocaalipse numa bíblia ensebada. Quero a singeleza do meu Divino. O seu riso de menino, meu desatino. Alyne Costa 3/06/14

Leitora

Sob a luz do candeeiro Uma procissão de sombras e um canto tardio de um coqui Os calos das mãos O vulto na serra Vozes que violam os tímpanos O sangue jorra sobre o papel Um conto de moçaa tonta, perfura de punhal meu coração E, sem manobra, se misturam Autor e obra As vozes se calam E, em sonho, uma festa. A cinta liga da pin up não cabe em mim. Nem o vestido azul de cetim. Sou leitora voraz Com picos de pressão E aao caair da tarde o sol desce a serra e vê meu olho na escuridão. Alyne Costa 3/06/14 Para Dênisson Padilha Filho.

Outono em Mim

O outono me nubla Espero cair a madrugada Tenho medo da morte E até tenho sorte Gosto de sorrisos discretos E o outono me silencia O vento me acaricia E eu procuro uma cadeira de balanço Já não tenho tempo para asperezas Quero a suavidade do meu roupão E um sabonete novo O outono me prende no porão E fujo na ponta dos pés Sinto sua presença Hipertensa O outono mede minha pressão E eu sigo Na contramão Alyne Costa 29/05/114

Carolina

Antes da madrugada chegar serei outra Rasgarei a ansiedade e atearei fogo Lembrarei dos beeija-flores Com suas mensagens de anjos Ontem sai na janela E beijei a flor mais bela A flor mais bela era Carolina Uma mulher ainda menina Com sorriso fonte de luz E antes da madrugada chegar Caarolina irá me abraçar Com suas mãos encantadas Me narrará um conto de fadas E cantará a canção mais bela Com a melodia típica dela E antes de eu dormir Caarolina me fará sorrir Alyne Costa 29/05/14

Bacu Pari

O rio da minha infância virou esgoto Morreu o Bacu Pari Com suas lavadeeiras Com seus meninos pescando piaba O rio morreu como morrem as lembranças Sinto frio e tenho medo Queria ao menos lavar meu pé E ouvir as cantorias das crianças Morada da minha alegria Ouvir a risaria das mulheres Com suas trouxas de roupas O Bacu Pari mora na minha memória Virou encanto Virou história Alyne Costa 29/05/14

Na Livraria

Não, eu não vou correr do medo Vou adestrá-lo Também não vou morrer de ciúme Vou domá-lo A minha febre é à tardinha E uma força bruta fezz nascer este poema Café Água com gás A mulher carrega uma crriança de colo E guarda um canivete Quando me vê, sorri Não veejo graça nenhuma Fico séria Miséria Os miseráveis de todo o mundo Querem invadir o poema Os loucos não saabem que hoje é domingo E não se importam see  amanhã é segunda-feira Não, eu não vou morrer de fome Vou salvar a fome num pen-drive. Alyne Costa 25/05/14

Sereei Sua

Não é hora de ler Clarice Nem de amamentar bezerros É hora de refletir Sobre o que me disse Queria beijar seus olhos Tão cheios de luz É tempo de confissão. Padre, dá-me um abrigo Me aponta uma direção Aquele cheiro de macho Me invadindo as narinas Tua boca tão próxima E eu sem norte Meio vesga, talvez Faço uma promessa olhando a lua: Serei sua! Alyne Costa 23/05/14

A Pele

Image
Ainda sangra a pele exposta Pele que não me pertence O sol é o alimento primeiro As seivas, sustentáculo Atravessa meu peito um gemido Sou colorida bastante Tenho um certo ar de felicidade O coração já não é o mesmo Acelerado com a cidade Agora hei de ter cuidado Hei de bailar nua nos abismos Ouvir conselhos e fazer preces Oração, meu agradecimento Já que não sou só lamento Quero pular carnaval! Alyne Costa 10/12/13

Já Não Sou Sozinha

Image
No horizonte da insensatez Assisto muda ao desfile do caos E uma multidão multiplica-se em mim Mitos, lendas, contos de fadas Eu já não sou sozinha E se encontro no amor um abrigo Por vezes nele também encontrou seus avessos Meus dentes roem ossos Minhas pernas tremem Minha capacidade é relativa Enfrento mares tenebrosos Engasgo com um grão de farinha Sou pródiga e rica em esperança E no meu do turbilhão uma dança - Eu já não sou sozinha. Alyne Costa, 26/11/13

Tia Avó

Image
Ela parece um anjo Com seus terços encantados Uma lucidez que guia Os netos apaixonados Lê cordel, reza novena Novela nõ assiste porque fez promessa É serelepe, de riso e lágrimas fáceis A gente chega perto dela e não quer mais sair Uma história emendada na outra Lembranças dos ancestrais Pombinhas visitam sua varanda Porque a casa é abençoada Mãe, Tia, Vó, Tia Avó. Todos querem seu aconchego Me deu de presente o ofício de Nossa Senhora Que hoje eu já sei decorado Tia Helena deixa na gente um sabor de quero mais: Quero mais missa Quero mais palavras Quero mais lelê Quero mais Helenita Pro mundo inteiro saber. Para Tia Helena, Alyne Costa, 23/11/13

Pecado

Image
Klimt Apenas no breu da noite aceito o meu desejo. Carne... Fibra... Cais... Penso nas coisas boas que você me traz: Verbo, olhar, ciúme. A minha vida sempre teve um lado obscuro. Sempre me visitaram pensamentos proibidos. É que sou assim: Desajeitada. Desajustada. Desnudada. Busco uma palavra para findar o poema, ela some. No espelho e me vejo linda. No varal as roupas alvas descansam. Se alguma nódoa ficou foi a do meu pecado. Alyne Costa 18/11/13

Caderno de Confidências

Image
Andando pela avenida, vejo vitrines... Anúncios de espionagem na banca de jornal. Cadelinhas passeando com lacinhos... Acompanhadas de madames. Eu sai sem batom e nem olhei pro espelho. Devo estar medonha, uma bruxa. Olho pros lados e avisto velhinhos sentados num banco de praça. O que povoa suas mentes? Vagas recordações, saudades mornas. O mundo moderno é uma aspirina. Sinto saudades dos antigos cadernos de confidências. Lá deixava meus gostos e segredos adolescentes. A infância passou... A adolescência passou... A juventude está deitada numa cama de hospital. E eu apenas perdi o medo. E me sinto viva. Com o amor que ele me deu no café da amanhã. Alyne Costa 2/11/13

A Mulher Que Guardo em Mim

Image
Arte by Henrri Matisse- Tristeza do Rei Guardo em mim a fúria das tempestades E na minha gaveta papéis coloridos me trazem de volta a infância Cachorros correndo pelo varandal... Uma alegria ímpar invadia o ser que nascia. A esperança me vigiava as noites. E uma cigana me cantava canções de ninar. A Vó na cozinha preparava uma couve. As minhas bochechas borradas de feijão davam o sabor da vida. Saia pra passear nos ombros de meu pai com sua cabeleira exposta. Pai, teu nome é saudade. E das lembranças boas restam as canções no violão. Versos ecléticos invadiam de luz o apartamento 1002. E saíamos a caminhar pelas ruas conversando com os gringos em alemão. Guardo em mim também a calmaria das hortaliças em ordem. Guardo em mim a mãe meio tonta que ama o filho e só sabe amar. Guardo em mim uma mulher que ainda não conheço. Que tem gostos esquisitos e uma força estranha na hora da dor. Guardo em mim uma amante trêmula, que ser carne e ser verbo é tam...

Cantiga de Mãe

Image
A luz dos teus olhos é brilhante e viva Tens a força do gigante A claridade da lua reflete em tua face O que sonhas? O que temes? Se teu destino é ser feliz? Traz no peito a rebeldia dos ventos em furacão. Mas não, não gritas ao absurdo. Gritas as tuas verdades encontradas nos labirintos da vida Ainda ontem sonhei que cavalgavas Soldado armado de escudo e lança Enfrentavas o escuro da noite e das matas E o dia amanhecia e já não via teu rosto Já eras um homem metade corsário O meu amor por ti vela tua febre Na certeza que os filhos são sempre os filhos Em busca de um ninho de passarinho Do acalanto de mãe As tuas lágrimas me são um punhal Se não sei porque choras... Guardo no meu peito o que não sei. E me silencio para apenas te amar. Um amor que navega contigo e segue todos os teus passos. Um amor de manhã que desbrava a madrugada, Para Victor Alyne Costa, 19/10/13
Image
Crepúsculo A minha essência é latente. Sou flor e sou raiz. Bailarina e atriz. Trago cicatrizes profundas na alma que ainda moça chora. O meu sexo se arde em labaredas no crepúsculo das horas. E na fogueira das minhas vaidades ainda guardo o lenço perfumado. O lençol bordado. Não tenho jeito para passar roupa. Mas sou mulher que gosta de inventar temperos e bater panelas. Assim oblitero meus desesperos... Enquanto no velho rádio ainda toca aquela nossa canção de amor. Para Tonga, Alyne Costa, 18/10/13