Reencontro

Andei tão distante de mim a ponto de não me reconhecer

Quebrei taças, amostras

Visitei UTIS

Vendi minha vida a quem não valia um conto de réis

Hoje me banhei nas águas das matas

Verdes, encantadoras, gentis

Sobrevivi e vi a poesia que me habita e que não é subterfúgio

Tentei me moldar ao que nunca caberia

Nem em mim, nem em ninguém

E, de repente, desafiei o destino e dormi horas a fio

Cansada estava

Fiz uma faxina minunciosa

Retirei todas as crostas do que eu não sou, e Deus me livre de um dia vir a ser

Me vi menina, alegre e inocente

Com meus santos, meus quebrantos e feitiços

E, nessa vida, breve, tão breve, resolvi não quebrar o celular

Nâo trocar o número de telefone

Não bloquear ninguém

Deixar ir

Porque matutanto observei a verdade clara e nua, toda topetuda na minha frente

Quando vc se estica demais para caber nos moldes alheios, você abre mão da sua maior fortuna:

Ser vc mesma!

 

Alyne Costa, 23/04/2026

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