Fora da Caixinha

Sou mesmo feita de abismos

Rompimentos abruptos surgem se aguentei demais

Não nasci pra ser domada por ninguém

Amor que conheci só de Pai, Vô e Vó

O resto é máscara que derrete a qualquer frágil raio de sol

Sou mesmo feita de abismos

As canções me ninam se não há lua no céu

Sou fibra de navio

Às vezes lânguida, noutras voraz

O pranto alimenta as noites preenchidas pelos vazios dos que não sentem

Em que me dispo no espelho

Sou a primeira e a última

Às vezes ribeira

Sempre cais

Alyne Costa, 16-08-2026

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