Nem se eu beijasse Narciso

Ou qualquer homem comum, sumiria das minhas lágrimas sua força e sua ternura

Eu jamais desaprenderia seu cheiro forte e único que mora em mim

Ainda que eu espere por toda vida esse beijo adiado pelo cheiro do cigarro

Eu abriria mão de têe-lo navegando entre meus lábios

Sua morada

E todos os dias, todos eles, bem cedinho

Quando eu saio para tomar um café nessa rua cheia de ambulâncias e viaturas, eu sinto sua presença 

E peço pastilhas, e mesmo que mude o sabor, sinto seu gosto que é tão meu...

Minha casa e meu abismo

Meu céu e meu infinito

E, na profundidade do meu grito

Gerado por seu sabor forte e cálido

Sabor que me faz espera, quimera porque é eterno o amor que se fez silêncio e dança nos meus lábios

Dóceis e profanos

Termos, rubros, suaves e teus.


Alyne Costa, 15-08-2026


"Fez saber que ainda era muito e muito pouco" R. Russo

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