Testamento Ouvindo canções eu me vi só Só como sempre fui, com os rabiscos no papel ofício Como Zuzu Angel... Como Renatas, Ritas e Déboras. Me vi só e lembrei seu primeiro olhar. Os gestos marcam uma vida inteira. Não titubeie, ainda somos os mesmos. Somos o primeiro choro e a primeira gargalhada Leve o meu riso feliz, algumas dipironas e a lembrança do meu amor. Alyne Costa, 10/11/2025
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A Mãe e a Repartição Eugênia chegava cedo na repartição, olhos cheios de olheiras das noites mal dormidas pelas dores que lhe acometiam, doía da nuca à sola do pé. Após falar com os colegas e a chefia abria o computador e fazia suas orações, seu ofício de lidar com gente era repleto do inusitado. Aos 40 e poucos anos um erro de diagnóstico havia aumentado e muito seu peso, corticoide, estava transformada e era raro algum amigo antigo lhe reconhecer. Sentava-se quase escondida, mas alguns dias observava de longe um jovem de olhos parados, observando o ir e vir das pessoas com um classificador talvez com seus documentos mais importantes, parecia pronto a fugir a qualquer momento e trazia no olhar sempre uma despedida. O rapaz às vezes passava horas ali como se hesitando em tomar alguma decisão importante, e seu olhar carregado observava atento o entra e sai da repartição, de vez em quando parecia esquecer seu problema e papeava com alguns cidadãos com um distraído sorriso...
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Não ser ou ser normal? “Um diagnóstico não resume a sua história, um transtorno não te define” Postou minha psicóloga a semana passada e eu acho que ela bebeu na fonte desse pensamento: "Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância" . Simone de Beaouvoir Fontes à parte, cai a matutar e a dialogar com minha amiga Alice domingo passado e resolvi escrever sobre isso hoje... A vida não é linear, você não pode se prender a nenhum rótulo ou diiagnóstico posto que a psique humana não é um bolo com receita perfeita, ela muda, o ideal sim é se cuidar e buscar no diagnóstico um ponto de partida para fazer e dar o máximo de si para viver bem. Tomar medicamento sim, bonitinho, mas ir além, ousar, crescer e até às vezes dar um passo atrás para poder dar dois à frente. No mundo pós pandemia o conceito de normalidade que há muito já vinha sendo questionado, mudou. O que é ser normal, quem é normal? Um transtorno de fato não...
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Rosa Tens a beleza das rosas eternas Aquelas que nascem e amadurecem belas por natureza Singularmente és bela Cálida e ainda que, às vezes escondida nas nódoas do tempo, Tem a ternura das rosas brancas Que pairam mansas em nossas vidas ainda que por raros momentos Assisto tuas pétalas ao vento primaveril, serenando e orando Ainda que as asperezas da vida tentaram tirar-te a beleza Absoluta pairas nos jardins suspensos da modernidade A eterna rosa de meu pai. Alyne Costa, 31/10/2025
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Sobre as dobras do blusão Hoje cedo, meu velho e querido compa Marivaldo (mais querido do que velho) me mandou uma canção de Ednardo que eu adoro e logo em seguida entrou na playlist canções do Belchior e eu fiquei pensando, nada mais latejante na alma do que as canções de Belchior. Na canção Coração Selvagem ele diz: “Quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar que é pra eu ter tempo de me apaixonar.” Isso é tão eu, tão recomendável e sublime, eu não deveria estar mais apta a paixões, sentimento para alguns etaristas muito juvenil, mas a paixão, que segundo Belchior mora na Filosofia é um sentimento que me move e me transmuta, me traz significados e êxtases. Eu preciso de paixões para meu estar melhor no mundo, para acelerar a minha criatividade... E você pode se apaixonar várias vezes e até pela mesma pessoa várias vezes, o amor é mais leve e mais tênue, mas a paixão, ah, nada melhor que a paixão para nos tornarmos locomotivas na vida. Por isso eu sugiro (ah...
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Flor que se Cheire Muitas vezes fui a Maria Solidária cantada por Beto Guedes Noutras a Maria Maria de Milton Mas, confesso, já fui Maria vai com as outras E, quantas vezes? Não fui uma Maria Sem Vergonha de Querer Bem? Mas depois de tantas... Não quero saber de ser Maria... Não vou ser mais Flor que se Cheire! Alyne Costa, 17/10/2025
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O Primeiro Encontro da Menina com o Louco Já fazia meses que o telefone não tocava aos domingos, aqueles domingos da década de 80, embalados ao programa de Silvio Santos, e a mocinha adolescente esperava o telefone tocar com ansiedade, ao menos para receber alguma notícia. Mas quando a noitinha ia embora perdia a esperança e recolhia-se aos livros: Confissões de Santo Agostinho e entre outros, Os Morros dos Ventos Uivantes. Um dia, um domingo a noite sua mãe lhe avisou: - Amanhã você não vai ao Colégio, seu Tio Venceslau quer te ver. A menina que tivera terno contato com o tio na infância, recebeu a notícia com algum conforto, já fazia um tempo que não via o tio e nem sabia que o mesmo estava residindo na capital. Logo cedo, tomou banho e vestiu roupa e sapato novo, como lhe recomendara a mãe e desceu ao pátio/estacionamento do condomínio esperar com um misto de curiosidade e saudade o tio que chegou num Monza cor de Vinho, muito bonito e possante. O tio abriu com del...
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Sim, eu estou deprimida, triste e indignada, tudo bem que ninguém tem nada a ver com isso, mas eu vou falar, eu tenho tudo a ver com isso. Há um plano divino no Universo, existe um criador pra cada criação, ninguém passa incólume à ira divina. Sei que fui trouxa inúmeras vezes, usada, tripudiada engolida por estes monstros, mas nada é em vão. Estou me afastando de algumas pessoas e peço que respeitem o meu momento, talvez passe, talvez não. Se fiz algum bem a vc, guarde para você e se fiz algum mal, me perdõe, pois apenas fiz o máximo que podia dentro das minhas condições como ser humano, falível como todos. Se estou saindo de sua vida, respeite o que foi vivido e acredite, eu me viro! Alyne Costa, 17/10/2025
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Sim, eu estou deprimida, triste e indignada, tudo bem que ninguém tem nada a ver com isso, mas eu vou falar, eu tenho tudo a ver com isso. Há um plano divino no Universo, existe um criador pra cada criação, ninguém passa incólume à ira divina. Sei que fui trouxa inúmeras vezes, usada, tripudiada engolida por estes monstros, mas nada é em vão. Estou me afastando de algumas pessoas e peço que respeitem o meu momento, talvez passe, talvez não. Se fiz algum bem a vc, guarde para você e se fiz algum mal, me perdõe, pois apenas fiz o máximo que podia dentro das minhas condições como ser humano, falível como todos. Se estou saindo de sua vida, respeite o que foi vivido e acredite, eu me viro! Alyne Costa, 17/10/2025
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Eu, professora. Durante um tempo fui professora, dava aulas particulares desde os 17 anos para tirar alguns trocados, quando meu filho nasceu, por necessidade e alegria a quantidade de aulas e alunos aumentou. Durante o dia peregrinava pelo Alto do Itaigara, Horto, Vitória e Barra dando aula a garotos e garotas do meu ex-colégio e a partir das 19 horas qdo meu filho tomava a última mamadeira, começava as aulas de redação lá em casa mesmo e eu praticamente não cobrava, ou cobrava o que cada um podia dar. Era uma mini oficina de redação, com recortes de jornais, livros e revistas eu ensinava àqueles jovens a escrever com senso crítico, e aprendia com eles também, Rafaela, Carlinha, Amanda, moradores do meu condomínio e outros que se agregaram. Eram aulas incríveis. O magistério é, sem dúvida alguma, a profissão matriz de todas as outras, somos fruto do que aprendemos e imagina a colheita de quem ensina. Tive professores e professoras maravilhosos e inesquecíveis,...
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Tempo de Esperança Já é madrugada e acordei descansada Não há mais canções, nem risos, alarido algum acompanha a avenida Penso no que me visita nesse descompasso de solidão Uma chuva fina e fria nasce com descoberta de uma luz acesa no prédio em frente Tanto silêncio em volta da gente As ruas estão mais vazias As pessoas envelhecem Vagarosamente, o tempo passa As crianças crescem Os jovens já não são tão jovens E algum sonho antigo ainda ressurge com os amores tardios Pois haverá sempre tempo para amar Para sonhar, ser, florescer, dar e receber Haverá sempre tempo para se ter esperança. Alyne Costa, 09/10/2025
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Cura Observo meu rosto no espelho como paisagem Qualquer utopia hoje parece miragem Me quebrei em cacos, por inteira Continuo casta, mas feiticeira Sei das muitas vezes que me quebrei Das feridas abertas, expostas Dos estigmas, dos medos e das propostas Há um vão impenetrável em minh’alma Sou cercada por muros e silêncios Somatizo todas as indiferenças Enfim, continuo me rendendo aos mistérios da vida Às vezes colorida, noutras extremamente sofrida E, apenas meus dois olhos observam: A cura e a solidão. Alyne Costa, 26/9/2025
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Segredos Existem detalhes que macularam minha alma E levaram embora a minha inocência Assim como umas marcas rabiscaram o meu rosto com o tempo Coisas que talvez nem lembre mais A fé me acalanta e me sinto calma Talvez com mais carinho e prudência Não busco novos amores ao sol q depõe contra o vento Nem signos, nem cismas, apenas um secreto depoimento Canto os instantes que sonhei Murmuros ininteligíveis do que nunca direi Seu medo, meu abrigo Seu nome em meu umbigo Magia e alforria Que sigamos os dias na distância que criamos Absortos em todos os passos que evitamos. Alyne Costa, 24/08/2025
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Da Suprema Utilidade da Poesia Porque e para que existem os poetas? Para que alguém diga a nós mesmos que o sonho faz parte da vida e, sem eles, seríamos máquinas sem afeto e as nossas próprias relações que tantas vezes nos nocauteiam sejam curadas. O poeta é, por essência, corajoso, desnudando sua alma nos diz exatamente aquilo que precisamos ouvir, como num toque divino a nos mostrar que não estamos sós. Leminski chama de loucura este estar poético de namoro eterno com o lirismo e o mundo onírico, não a loucura autodestrutiva, mas a loucura do êxtase de existir. Sem a voz dos poetas, essa voz que ressoa em cada canto de nossa alma, o mundo não seria sempre traduzido de forma singular e de formas sempre diferentes. O estar poético no mundo é um estar de privilégio e, concomitantemente de doação. O poeta nos convida a estar com ele e nos dá abrigo quando tudo parece perder sentido. A poesia é útil para que a centelha divina da criação nos dê sentidos. Sentido para...
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Lágrima Noturna Aprendi que viver é urgente E que das coisas mais certas vale muito mais um caminhar Caminho sempre e revejo pessoas E meu passo não se faz sozinho Mora nas minhas ternuras Há dentro de mim ainda um recheio de esperança Que habita a minha poesia e dança Dança com os mendigos malditos Com os órfãos aflitos Dança na solidão das minhas noites insone Dança na arrogância da moça infeliz Dança na esquina com pose de bailarina E existe até uma beleza nas despedidas A gente nunca sabe onde está o ponto final. E enquanto o galo não canta, sobra uma lágrima na garganta. Uma lágrima pelos que não aprenderam a amar. Alyne Costa
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Da Indignação ao Precipício Tem coisas que eu gosto muito, uma delas é recomeçar Recomeçar sempre, mesmo que a indiferença não aguente Recomeço todas as manhãs No café fiado No trago do cigarro Na mensagem de Alice Recomeço olhando o Oitizeiro onde os passarinhos moram Recomeço sempre e com a melhor das intenções Recomeço no passo leve de quem sabe ser honesta Recomeço e no fundo até acho graça dessa moça que não vai à Praça Acho graça dela ser tão bem comportada No fundo o seu comportamento é a medida do seu medo? Medo de morrer! Medo do que??? Medo de morrer! Alyne Costa, 07/08/2025
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Porque Escrevo? Porque escrever me é tão necessário? Escrevo porque sinto E no sentir me abrigo Escrevo porque não sou só, sou muitas Às vezes sonho, às vezes choro Às vezes calo, às vezes grito Escrevo pelo simples fato dele existir Escrevo ainda por tudo que não foi ainda vivido, apenas imaginado E porque há quimeras prossigo. Escrevo e sobrevivo. Alyne Costa, 29/07/2025 Porque Escrevo? Porque escrever me é tão necessário? Escrevo porque sinto E no sentir me abrigo Escrevo porque não sou só, sou muitas Às vezes sonho, às vezes choro Às vezes calo, às vezes grito Escrevo pelo simples fato dele existir Escrevo ainda por tudo que não foi ainda vivido, apenas imaginado E porque há quimeras prossigo. Escrevo e sobrevivo. Alyne Costa, 29/07/2025
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Sentimentos Extremos Gosto de sentir, sentir fragrâncias que me remetem a lembranças Cheiro de terra molhada ou do Patchouli que meu pai usava E tudo que sinto é extremo Minhas paixões todas são extremas Talvez, ridículas, mas são paixões A saudade que sinto também é extrema Ouço canções repetidas vezes Caminho extremamente com passos ora firmes, ora trêmulos Mas sigo A solidão fez morada em meus dias E o vento frio do inverno me abriga A vida pode ser incerta e nem sempre sabemos viver Importante é semear para depois colher E esse incomodozinho logo vai passar E um amor novo recheado de sentir intenso Me carregará pelas mãos Alyne Costa
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Solidão de véspera No inaudito dessas horas nuas Em que vago sozinha pelas ruas E a madrugada se cala ante os solstícios Somos deuses e deusas do silêncio Do silêncio insone E, nutrida pela cálida solidão das esperas... Essa mesma solidão das vésperas... Essa solidão que não tem nome Apenas rabisco meu grito Porque transmutas, ó homem? Alyne Costa. 16/07/2025
Vicente e a Borboleta Sorridente
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Vicente era um menino de 04 anos muito gentil e contente. Amava todos os binhinhos, dos rios, do mar, da terra e do ar. Queria até ser passarinho para aprender a voar. Ou quem sabe uma tartaruga-marinha para conhecer o mar? Ou um cachorrinho que pudesse viajar de fusquinha ou avião. Um gatinho, macio e fofinho que colocasse, de levinho, a mão. Um dia Vicente pediu à Mamãe um bichinho de estimação. Podia ser até um coelhinho daquesles estrela de animação. Vicente ficava um pouquinho triste, mas logo voltava a brincar. Na verdade ele já tinha seu zoológico particular. Já sabia que não era não, mas nunca na sua imaginação. No reino da imaginação de Vicente apareceu uma borboleta sorridente. Era azul e voava, melhor do que ele sonhava. De repente, Vicente fazia a borboleta ficar diferente. Virava preta e amarela, podia existir borboleta como aquela?