Façamos Amor, Mas Façamos Arte!

O contato do ser humano com uma obra de arte, faz emergir um novo ser. Ninguém é intangível à arte em suas diversificadas formas de manifestação. Não é vista apenas pelo olhar, mas pelos sentidos, captada, ainda que indiscernível, abre fendas, labaredas em todos que com ela se deparam.
Cegos, crianças, fanáticos, "loucos", "mutilados morais", se o olho vê a arte, vai além.
Segundo o artista plástico Almandrade: "a arte produz efeitos imprevisíveis e é preciso entende-la sem descreve-la". E quem se atreveria a equacionar o seu alcance?
A obra de arte transbora a pré-intenção do artista, reflete no espectador, transformando-o num homem novo.
Quantas vezes não mudamos, não alteramos as nossas perspectivas perante relacionamentos e fatos após ouvirmos uma canção?
E a mesma canção pode nos trazer leituras diferentes acerca da mesma realidade.
Não pretendendo adentrar no "mito da incompreensibilidade" da arte e sim a necessidade de utiliza-la como fato social propulsor de uma nova ordem: Se o homem muda com a arte, esta transforma o mundo!
O mundo moderno e suas neuroses tem na arte a sua mais sadia forma de profilaxia.
Todos nós precisamos de angústias, crises existenciais, temores e fobias. Precisamos tanto que às vezes criamos problemas onde não existem.
Precisamos de uma certa dose de loucura para que a vida não se torne morna ou sem sentido. Sem sofrimento qual paixão humana nos afundaria para que aprendêssemos a voltar à superfície novos, experientes, mais ternos e mais humanos?
Assim, amados, consumam menos drogas e mais arte!
"Poetas, seresteiros, cancioneiros, ouvis..."
A arte é a veia aberta da verdadeira revolução.
E o artista? É todo aquele que aprendeu que a criatividade, da Ecologia à Bio-Medicina é a grande "sacada" para a nossa convivência "sustentável".
Segundo Miguel Torga:
"De quantos ofícios há no mundo, o mais belo e o mais trágico é o de criar arte. É ele o único onde um dia não pode ser igual ao que passou. O artista tem uma condenação. E o dom de nunca poder automatizar a mão, o gosto, a enxada. Quando deixar de descobrir, de sofrer a dúvida, de caminhar na incerteza e no desespero, está perdido."
Assim, somos neuróticos, desesperados, sedentos de coisas novas, apavorados, inseguros, mas duvidamos. Sim, duvidamos!
E alguém se lembra de que mesmo a dúvida é o preço?
Portanto, amados, não somos canhões, somos canários...
E façamos carinhos com nossos cantos, façamos amor com a intensidade dos nossos desejos, mas façamos arte com nosso suor!
Alyne R. N. Costa
Brumado, 4 de maio de 2006
texto publicado no site http://www.aldeianago.com.br/
Comments
Gilles Deleuze, um filósofo francês contemporâneo, afirma, em sua proposta filosófica denominada "filosofia do acontecimento", que a função do artista é produzir sensações.
Os afetos e sensações são a nossa relação mais direta com o mundo, pois se estabelecem a partir de percepções da realidade.
Assim, o artista produz uma abertura para a realidade que, mediante outras formas de apreensão, tal como a ciência, por exemplo, não se conseguiria chegar.
Em meio à avalanche de mediocridade que nos assola, sua poesia nos dá provas de sua função de artista: criar a diferença!
Tô com saudade das suas visitas ao meu blog!
Abraços ternos, minha linda!
P.S.: Para quando está agendado o lançamento do seu livro em Vitória da Conquista, mesmo?!