Tuesday, August 29, 2017

Pé na Estrada

Guardarei as violetas e as rosas meninas
Lembranças e sorrisos que não se perderão nos escombros do tempo
Minha lágrima é a flor maior do meu afeto
Nunca secreto
Não te farei moldura
Nem trocarei os papéis
Há sempre algo que fica num porão chamado saudade
Quando se vai um amor
Desmorona-se o teto da realidade
Um amor não cabe em caixas de papelão
Nem se esconde debaixo dos tapetes e das paredes manchadas
Agora, quero andar nua no passeio público
Procurar na bagunça das gavetas onde se escondeu aquele meu riso
E minha boca não tocara nenhum gole de veneno
Serei rio sereno...
Brisa leve da vida planará por ti
Te verei nobre
Te dei uma bagagem de ternura
Mas nunca nasci pra uma armadura
E a vida breve roga por mim
Talvez morrerei com flores, como morrem os poetas repletos de amores
Talvez morra esquecida, como morrem os loucos e os vagabundos
Mas nunca mais viverei com temores
Viverei a vida como quem tem fé
Como quem ama
Como quem bem quer
Como quem bendiz
Como quem ora
Pé na estrada!
Mundo afora!

Alyne Costa, 29.08.17


Saturday, August 12, 2017

Amei e dei vexame

Simplesmente a vida é assim.
A certa altura da vida... Numa experiência de isolamento social vc se apaixona por uma carícia que alguém faz em seu rosto.
Alguém que também sofre. Que também passa por dificuldades.
E, de repente, esse alguém pisca o olho pra vc, brinca com vc, divide o cigarro...
É honesto, bom lider, talentoso.
Vc olha pra aquela pessoa e vê disperdiçado um futuro brilhante.
Vc é poeta.
Louca.
Ama.
Precisa de amor e não há nada que te mova mais que a paixão.
Conscientemente vc sabe que aquilo jamais terá futuro.
Mas vc é capaz de doar sua vida por aquela pessoa.
Pq sabe q ele é bom, puro, tão vulnerável quanto vc.
Vc chora escondido... Declara sua paixão em mensagens não visualizadas. Faz preces. Ora com todo fervor da sua alma.
Faz poemas secretos q talvez essa pessoa nunca leia.
Ou leia pq vc sabe o quanto essa pessoa é sensivel, inteligente e pode ser útil a um mundo melhor....
Mas os avessos da vida as vezes acontece e essa pessoa é vítima de uma injustiça.
Pq mulher é bicho traiçoeiro e vc sabe o quanto seus amigos homens são leais.
Sim... As injustiças acontecem e vc toma uma opção na vida. Nunca mais coadunar com injustiças onde é q elas ocorram.
Vc sabe q o futuro daquela pessoa não é com vc, q ela tem brilho e destino próprio e q isso só pertence a Deus.
Ai vc q não sabe fuçar facebbok recebe de graça uma foto daquela pessoa com farda.
Logo vc q sempre abominou polícia, mas tem fetiche por homem fardado.
Vai à loucura.
Liga....]
Liga de madrugada...
Liga quando vê a pessoa on line no face. E sua ligação não é atendida.
Restam sua saudade e uma solidão sem idioma.
De repente vc acorda.
Lembra do sorriso daquele amigo seu de faculdade viciado em jogos eletrônicos.
E vc sabe q ama e é correspondida.
Vc sabe q já fez muita gente feliz e isso é q conta e que por outras pessoas vc é absolutamente impotente.
Ai vc joga a toalha.
Desiste.
E num passe de mágicas... Arregaças as mangas e vai  aluta por vc mesmo. Pra sorrir. Pra ser feliz. Pra dar e receber amor pq desistir, embora doa, tb faz parte.

Alyne Costa, 12.08.17

Monday, July 31, 2017

Saudade

A saudade é uma ausência que não cura.
Perdura.
É lapidar no pensamento cada segundo.
Cada momento.
Ser no mais profundo sentimento...
Um lamento.
É querer ter aqui do lado
O passado
E ter na dúvida a pureza
Como já disseram os menestréis
E, numa loucura, ser a ruptura
E querer o novo
A vida nova
A roupa branca e alva
De fada encantada
Que morre de amores
Enfeitiçada
E, na magia desse feitiço...
Buscar a paz
Uma tranquilidade sem verbo
Sem carne
Sem alarde
E esperar...
Esperar
Esperar
Até a febre amenar
Porque cura, meu Deus, já não há!
Alyne Costa, madrugada de 8.07.17

Thursday, June 15, 2017

Fronteiras do Amor

O amor tem fronteiras e as vezes morre inaudito e de véspera.
É tão triste quando a gente mata um amor.
Mas as vezes é necessário...
Nunca a gente escolhe ou sabe porque ama. Mas a gente pode matar um amor, sim.
A gente mata um amor quando não sabe ouvir, quando não responde, quando tem medo ou quando se entrega a uma amargura qualquer.
Tem uma bela música do Paralamas que diz: "Saber amar... Saber deixar alguém te amar..."
E existem inúmeras, um verdadeiro arco-íris de forma de amar.
Mas matar um amor por uma atitude abusiva, de invasão ao momento ou à dor do outro dói demais.
Você quer concertar e não tem remendo.
Você quer voltar no tempo e não ter dado aquele telefonema e dizer aquelas palavras, vc não queria ter ferido, ter invadido, ter machucado.
Mas fazer o que de nós meros humanos...
Tão imperfeitos, tão julgadores e tão dodóis.
Lembro de um telefonema de uns 13 anos atrás em que eu relatava meu amor por Fred e um amigo perguntou se eu já havia escutado a música Relicário. É isso... A gente faz a merda e depois faz um relicário.
Pelo amor de Deus precisamos abolir culpa do nosso dicionário.
|Até arrependimento.
Se agimos de alguma forma foi porque fizemos o que achávamos correto no momento e nas vicissitudes que estávamos atravessando.
Culpa é um sentimento extremamente reacionário.
Cada um responde por seu atos... Livre arbítrio.
A minha forma de amar é uma forma imensa. Eu sou daquelas de ligar, de sonhar, de fantasiar, de ir à beira da loucura até o sábio momento de deixar ir embora. De deixar livre e rodopiar como um beija flor na torcida por um final feliz.
O amor talvez seja uma das raras coisas da vida que não tem sombra.
O amor não tem pecado.
Só acerta.
O segredo é viver o momento, emudecido de sentimento.
Sentir, pulsar e deixar fluir, mesmo que amanhã você descubra que foi carência, ilusão ou sintonia.
O importante é que você sentiu, se envolveu, se permitiu. Amanhã é outra história, outro sorriso e outro amor.

Alyne Costa 16.06.17

Thursday, April 27, 2017

Idioma

Ontem sonhei que Nova York ouvia tango
Que cantores palestinos dançavam rumba
Que no Saara não haviam tâmaras e sim amêndoas
Que todas as pessoas se entendiam e bailavam como os ciganos
Mandei preparar um vestido dourado
Um espelho encantado
Como numa fábula
Vi crianças darem as mãos
Vi travestis distribuindo rosas vermelhas
Vi pretos velhos fumando cachimbo
E Dolores me amamentando
A minha bandeira era um arco-íris
E tremulava num céu azul de outono
Ouvi rouxinóis cantando
Poetas profetizando
E loucos se amando
No meu sonho não haviam cárceres nem manicômios
E a minha roupa clareava a noite que chegava carregada de estrelas cadentes
E, na cadência de um samba, Nanã acalantava o mundo
As freeiras oravam com terços cristalinos
Os pastores pregavam um tango argentino
O Doutor chorava sua lágrima de menino
E não havia nenhum átimo de dívida ou credor
Ontem eu sonhei que o mundo
Falava o idioma do amor.

Alyne Costa 27/04/17


Thursday, April 06, 2017

Silêncio

De monge
No universo onírico em que habito
Acompanho teu silêncio
E em noites enluaradas costumo banhar-me numa cachoeira
Ondinas me segredam canções de ninar
Fados, valsas e sambas de roda
Eu sou toda alma e coração
Feita de amor pulsante
Me olho na face oculta do espelho
Acendo uma fogueira
Salamandras bailam ao som de um blues
Como se diz eu te amo em sânscrito?
Leio e releio a carta de Paulo
A madrugada assobia seu nome
E a solidão amaldiçoa o medo
Meu verbo
Minha carne
Minha pele
Meu ermo
Na chuva surgem fogos de artifício
Santo anjo do senhor...
Talvez seja amor
Ou precipício.
Alyne Costa, 4/04/+7

Amar Tanto e Até Morrer


As tuas memórias no Facebook
Alyne, as memórias que partilhas são importantes para nós. Pensámos que gostarias de recordar esta publicação de há 3 anos.
Onde mora a minha dor?
Habita o meu silêncio e permeia meus sonhos.
Desenha a minha distância nos morros de um caderninho encantado.
A minha letra borda em suas páginas correspondências.
Cartas de amor.
Cartas de despedida.
Cartas de boas vindas.
Algumas lições de esperança capturadas no olhar da menina de tranças.
Onde mora o meu perdão?
Nas flores de maio que nascem na palma de minha mão.
No meu velório e na minha primeira comunhão.
Numa saudade que transborda as veias do coração.
Veias e esquinas.
Veias e alamedas.
Veias e praças repletas de flamboyants.
Onde moram meus vícios?
Na sede de desespero e riscos.
Nas chagas da incompreensão.
No abandono e na solidão.
Na solidariedade e no dividir o pão.
Onde mora o meu amor?
No meu olhar que mareja.
Na alma que inteira viceja.
No corpo que ele beija.
E até numa certa agonia...
Que persegue noite dia...
Este peito de poeta.
Que já não reconhece as setas de ser só e uma só ser.
E, por tristeza ou quebranto, capaz de causar espanto.
Ama tanto e até morrer.
Alyne Costa
30/06/11

Thursday, March 30, 2017

Escudos

Ela gosta de roupas claras
E de sentir leveza na alma
Gosta de pessoas do bem
E perfume de alfazema
As vezes chora em calundú
De alegria ou de dor
Noutras é como um raio
Um clarão na tempestade da vida
Gosta de músicas suaves e batuque de tambor
Transmite serenidade, muita luz e muito amor
Faz preces
Acende incensos
É de fibra e de fé
É anjo e é mulher
Gosta de cheiro de mato
Gosta do povo de santo
Que tira maldade e quebranto
Traz no peito uma medalha
O seu cálice é de amor
De flor de verdade e amizade
E seu peito é um escudo
De luz e prosperidade.

Alyne Costa, 30-03-17

Para Margarida Ornelas