Cortinas

Porque eu talvez tenha me dividido em viver o que não havia ainda vivido.
E antecipado o tempo, feito flor de ressentimento.
E porque muitas vezes visito o passado, criando afeto feito gado.
E porque lembro bem dos meus tempos de criança, sempre me surge esperança.
Quando eu já não agüento mais.
Me lembro dos tempos em que meu avô partia melancia:
A faca em sua mão desenhando as talhadas...
Eu sempre ganhava o miolo: a parte mais doce e suculenta.
Meu avô assim, me abria as cortinas da vida.

Alyne Costa
1/05/10

Comments

Barone said…
Lindo poema Alyne.

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