A Esperança e As Caravelas


Blue Nude II Henri Matisse

Por entre avenidas e flores
Meu ressentimento primeiro
Holofotes anunciam guerras
E meu canto sereno apenas pede: Paz
As minhas lágrimas mudas molham as calçadas
E um vendedor de balas distraído anuncia uma alegria fugaz
Sozinhos meus passos seguem em paz.
Em busca de um caminho que já não me lembro mais.
Pouco importa, tanto faz.
A fria indiferença ante anúncios de jornais.
Aqui jaz a vida: mutilada, esquecida.
Também se foi a crença e um bocado da fé.
Esperança, teu nome é de mulher.
Possuis em teu ventre o dom de gerar.
Tecelã do fio da vida: borda um novo amanhã.
Com meninos brincando em carrinhos de rolimã.
Vai, analfabeta e aprendiz, bailarina ou atriz.
Rabisca um mundo novo no quadro de giz.
Reconstrói e apaga de uma vez quanta atrocidade persistir e surgir.
Faz com sua delicadeza um mundo com poesia de Gentileza.
Em que a gente não sucumba ante à dor e à vil esperteza.
Traça em sua tela um mundo de novas caravelas.
Descobridoras de novos corações e talento.
Bane de uma vez o lamento.
E agasalha meu sonho, de menina e de mãe.

Alyne Costa
Junho de 2010

Comments

Malu Machado said…
Belíssimo poema Alyne. Parabéns. Você escreve muito bem.
Seus versos desaguam
aguardam mares
embarcações
sofrem no cais.
Fada Bêbada said…
Eu amo este quadro em específico !!! Adorei

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