Biba Lagartixa
Quem mora ou frequenta das bandas do Campo Grande, passando pela Vitória e Graça, com certeza já se bateu com ela por aí... Elegante, com seu corpo de manequim italiana e sua baianidade exibida em seu turbante e no seu carismático rebolado.
A conheci alí na Euclides da Cunha, na esquina do Carlos Crivelli quando ainda existia a Banca Fróes, o ano exato não sei, mas foi quando a moeda de 1 real valia muito. Passei na banca pra comprar cigarro e ela estava lá armando o maior fuzuê, naquele tempo era mais arrojada, me pediu uma ajuda e alguém tentou atrapalhar lhe dando algum valor em papel ao que foi categórica;
"-Não quero! Quero o dela porque o dela tem axé!"
E lá se foi meu um real, depois passou um tempão sumida e rolou o boato que havia falecido (biba morreu, biba morreu!), fiquei triste pra caramba até que um dia a encontrei e ela me gritou:
"-Ó não morri não, jogaram água quente no meu ouvido, mas eu tô viva!"
Fiquei aliviada...
E, de fato, a marca da queimadura ainda estava recente.
Veio a pandemia e eu nunca mais a vi.
Domingo passado, saí pra dar uma volta e a ví ali na Rua da Graça com seu turbante e sua sacola de lado... Dessa vez não me viu e eu pensei: Massa, sobreviveu!
Certa feita ela me disse que morava na Gamboa e quando me vê grita: "Olha ela!"
Biba Lagartixa é 100% Salvador.
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