Mundo cão e meu cão
“Sabe esses dias em que horas dizem nada?”
Mundo cão e meu cão
Vive-se um tempo, potencialmente, tristemente, esquisito...
Hoje eu resolvi dar uma volta com meu filho e meu cachorro,
meu filho protelou, protelou, mas foi.
Subimos a rua e meu cachorro que pula como um cabrito, ia
alegre e saltitante, entramos numa rua sem saída e deserta, feriadão e eu sem
noção de que vivemos a era do “grande irmão”, achei que poderíamos ter um pouco
de privacidade, enganei-me.
Fui vendo a rua e de repente uma criança grita:
“Ei, cadê você?”
Imaginei que brincava de esconde-esconde.
O jornaleiro passou em sua moto e jogou um jornal, não era
bem o horário certo...
Um dos porteiros ouvia rock bem alto, a-do-rei!
Lembrei-me da doce Inês cuja casa ouvi pela primeira vez: “Titia
que morava na Colômbia chegou, riu de mim porque não entendi...”
Um pouco mais tarde ví um curta excepcional, li alguma
coisa, joguei conversa fora.
Tem um livro que eu nunca lí: Morangos Mofados.
Estou de fato emocionalmente exausta, nada me faz mais
falta, dizem que solidão vicia e eu sou somente uma aprendiz do amor.
Alguns dizem que devo aproveitar a vida, que estou de boa.
Quem está de boa nesse deus dará?
Nesse calor infernal?
Confesso que cansei, tudo que eu queria era chorar, mas minhas
lágrimas sumiram.
Eu só penso na capa de um livro que eu vi: “Porque pessoas
inteligentes cometem erros idiotas?”
Porque já está todo mundo pensando nas eleições municipais
se ainda nem nos recompomos da exaustão das presidenciais?
O pessoal quer guerra, confronto, caos...
Fico com Raul:
“Entrar pra história é com vocês”.
Alyne Costa, 22/04/23
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