Bem Bom


Depois da ressaca cívica a gente acorda de cara com o Brasil de dentro.
Tenho dito que meu problema é endógeno e não exógeno.
Solidão dói muito. Moinho no peito. Amor batido, pisado no pilão da minha alucinação.
“E a voz do anjo sussurrou no meu ouvido, eu não duvido já escuto os teus sinais..
e tu virias numa manhã de domingo, e eu te anuncio nos sinos das catedrais.”
Pra piorar eu não vejo novela. Prefiro Internet e voyerizar o orkut, agora descobri os fakes ou eles me descobriram. Ainda vou criar um fake, mas tô com uma preguiça...
Não vejo novela porque é chato, muito longa e a gente cansa. Prefiro as mini-séries, como a inesquecível Anos Rebeldes... Monday, Monday....
Hoje eu só tô que assobio.
Mas tenho assistido muitos filmes que pego na locadora de Kaká, a artista q fez a pintura do rádio da foto. Alegrinha. Tem um fusca que é uma bela instalação, cheio de frique-friques e pretendo fotografá-lo. Eu sempre atraso na entrega dos filmes, ai ela liga pra lá mil vezes e eu, então, resolvo devolver os filmes e ela pergunta razão da demora. Sei lá, mas eu pago a multa. É que eu gosto de rever uma cena várias vezes com caneta e papel e anotar frases. “Você é real ou é um espírito? Eu sou a tristeza.” De O Feitiço de Áquila.
Vou passear na floresta, enquanto seu lobo não vem..
Ta pronto, Seu Lobo?
Achei um texto magnífico:


Loucos e Santos
(Oscar Wilde)
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Acabo de deter-me na incerteza que o autor do texto é o Wilde, na Internet nunca se sabe o que se é de quem.
HEAD UP, YOUNG PERSON
E a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando...
Um assobio só.
Vou passear na floresta enquanto seu lobo não vem, tá pronto Seu Lobo?

Comments

Anonymous said…
"Bem vindo ao deserto do real!" disse Morpheu ao Escolhido no universo Matrix. Desentendendo, mas ainda assim explicando, disse, lá do Cafundó da Bahia, de Javé, Antônio Biá: "Eu sou todo errado, entro sem pedir licença, só saio se for mandado."
Caipora, abraços.

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