Friday, February 09, 2007

Sobre Flores...

Foto by: Alyne Costa
Frase de Caminhão pinchada no muro do cemitério de Brumado
"Até as flores dependem de sorte, umas enfeitam a vida outras enfeitam a morte."


A poesia não escolhe hora pra nascer.
Pode brotar de uma esquina entre uma dúvida minha e sua.


Numa frase de caminhão, de ré, na contramão...
Num atrito, feito cacto...
Num muro de cemitério.
Porta de banheiro.
Mas ganha ares de flor e asas de anjo.
Voa entre o medo e a esperança.
Poesia é anúncio de alma.
É flor pro mundo áspero do mistério que ronda:
A vida e a morte.
Alyne Costa
9/02/07

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava longe do céu...Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar. . .
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma, subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Alphonsus de Guimaraens

Flor de Plástico e Seu Intinerário

Elas não têm aroma
Não morrem, nem vivem
Pousam.
Dotadas de uma impáfia,
uma indiferença
Voluptuosas...
Fazem pouco caso de tudo.
Das horas que passam
Dos versos que eu faço
Das moscas que transitam entre suas pétalas
São umas dondocas
Peruas maquiladas
Esnobes e cretinas
Não são minhas
Não são de ninguém
Coisa sem dono
Res nullus
Nenhum anjo lhes guarda
Nenhum cão lhes ladra
Solitárias e bossais
Industrializadas e bestiais
Camufladas
Não criam rugas
Não caem-lhe as hastes
Obscenas e inférteis
E viverão mais que eu...
Tão antipáticas, que não lhes atiro ao lixo por pena do vaso!

Alyne Costa
Igaporã, inverno de 2003

2 comments:

todas as vozes said...

Esse muro já viu tantas outras frases, que se tivéssemos nos lembrado de guardar para a posteridade, já daria um belo livro...

cafundó said...

Imagino que sim, um muro atrevido, atreve vidas, divididas, bipartidas, vidas enfim...