Ao Poeta do Giz

Hoje eu queria fazer um poema.
Um poema para acordar o poeta que dorme.
O timoneiro do riso.
Hoje meu verbo foi pranto.
E o meu silêncio apenas abraça o jasmineiro em flor...
Sobe o pé de goiaba.
Treme de raiva.
Treme de saudade.
Treme de dor.
Hoje o meu poema dorme à sombra de uma esperança.
E em mim habita uma cega que vaga pelas ruas a pedido de oração.
Hoje o meu poema voa junto a borboletas.
E a minha impotência cala a minha ternura.
Sou aquela que não compreende.
Sou aquela sentada à espera de um milagre.
Hoje a minha poesia é prece.
Atendei-a, ó Pai.
Alyne Costa
Salvador, 16 de fevereiro de 2008
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