Sunday, October 30, 2011

Mosaico


Pieta


Penso em traduzir sentimentos.
Dores, silêncios, lamentos...
A vida? Desenho a giz.
Trago uma caderneta de aprendiz.
E assim me refaço.
Trago novas rugas num sótão de ausência.
Não quero regras.
Um catavento como referência.
Menos cismas e mais paciência.
Um bem-te-vi me acorda todas as manhãs.
Sem que eu perceba, meu coração se abre em festa.
Aparo as arestas.
Colo-me em mosaico de tons pastéis.
Intensa, me agarro nos momentos.
Guardo frases de recordação.
Um mapa mundi na palma da mão.
Por vezes navego na contramão do previsível.
E cochilo à sombra do irremediável.
Do sem costume.
Do sem jeito.
Do bem que sinto e guardo no meu peito.
Que se extravasa na amplidão do mar.

Alyne Costa

1 comment:

Mensagem Efêmera said...

Quando os cacos do mosaico se juntam, que bela obra fica!