Sunday, June 02, 2013

Víbora

Emudeces o grito preso na garganta.
Omites a fêmea que pulsa em minhas veias.
Em vez de louca me faz casta e santa.
Uma estrada reta quando em mim percorrem sinuosas curvas.
Tantos abismos sobre meus ais e beiras.
Uma feiúra me assombra.
Nada me resta da bailarina e atriz.
Sobre a escrivaninha apenas a poeira do tempo, meu alento.
Meus versos emudeceram de tristeza.
A poesia me preenche as tardes fazendo descaso da solidão.
Meus passos outrora trôpegos retornaram firmes.
Sou mulher e comando astronaves coloridas.
Sobrevôo fogueiras e contradições.
Sou o sorriso do sim.
A lágrima do não.
Sou a ponte e o alçapão.
A primavera e o verão.
Sou ainda a velha embriagada.
A bruxa sagrada.
Sou a menina e sua caixa de lápis de cor.
Sou verme, víbora, açoite.
Sou o que fui e onde não vou.


Alyne Costa, 24/01/2013


2 comments:

Mensagem Efêmera said...

Tu somes, mas quando voltas é com um post de tirar o fôlego. Adorei.

Alyne Costa said...

Que bom te reencontrar! Beijos