Friday, April 17, 2009

CAMINHO


GUSTAV KLIMT



Pode me cortar em lâminas, já não sangro
As antigas dores agora saltam em jorros
Desdobram-se
Multiplicam
E em meu peito já não habitam
Rodopiam pelo externo
E brota em meu caminho um jardim repleto
Flores, cores, canções...
Pode me amarrar de corda, já não movo
Assisto a um desfile de cascatas com águas rubras
Os meus sonhos saltam os precipícios do que não ultrapasso
E se há dúvida, me abraço
Faceira, mineira, feiticeira
O começo sou eu
O fim sou eu
Mas importa, o meio, o ínterim, o caminho.
Que ninguém faz sozinho.
Vamos de mãos dadas e vidas doadas.


Alyne Costa

3 comments:

Braga e Poesia said...

um poema com a marca de alyne costa, mas com um diferencial este é pra mim o apice, o melhor,
esse poema me cortou em pedaços, fazendo com que cada pedaço percorresse o meu tempo já passado e se encontrasse em um acerto de contas com o meu tempo presente.
um poema que nos obriga a :
-admirar a beleza dele;
-nos repensar por inteiro;
-e mais que tudo saber da importancia das mãos dadas.
bjos e pra semana vou postar este poema em meu blog, certo dona alyne?

Cafundó said...

Nossa, perdi ofôlego Ronaldo. Isso é que é interpretação. Poste a vontade. Beijo imenso.

Luciano Fraga said...

Este poema nos faz pensar em mudanças e estas devem começar dentro de cada um de nós, o que pode parecer individualismo(é preciso matar o homem, para renascer o individuo transformado), mas o desfecho foi fantástico, o meio, o ínterim, as vidas doadas, mágico, beijo.