Tuesday, December 21, 2010

Contrabaixo


Era só o contrabaixo e a estrela russa que bailava nua.
Solitário na orquestra, pedias um maestro com asas de metal.
E me acordava o barulho do metrô em construção.
Algum espectro ou assombração.
E na avenida carnavalesca que ainda acordava:
Os passos do all star acompanhavam uma gringa qualquer. Sem rebolado.
Palavras em alemão me levaram à janela.
Podia ser um bilhete de loteria, mas era triste e eu via.
Não, não era triste, era sincronicidade.
Era carnaval acordando a cidade.
O contrabaixo agora fazia a melodia no meu coração.
E eu perguntava pela lágrima que não vi de Tereza.
Teria partido de avião ou navio?
As mãos de Tereza tinham rugas frias.
E seu sorriso não dançava valsa.
Amei teus segredos, dissimuladamente...
As tantas histórias.
A gramática rica.
Naquele tempo a minha magreza superava a de Tereza.
Tereza, tristeza que eu nunca compreendi.

Salvador, 21 de dezembro de 2010
Alyne Costa, para Victor Hugo da Rocha

2 comments:

Thiagão said...

O seu poema traduzido em música. Com uma pitada de eletricidade: http://bit.ly/arijGC

Cafundó said...

Adorei,Thiagão, show!