Miau, Miau, Miau, Cocorocó
Acredito que toda uma geração foi
marcada pelo vinil. O vinil tinha sua magia que nem o melhor rádio do mundo
sonharia em substituir.
Quem usou vinil sabia da sua
delicadeza, era como um prêmio adquirir um vinil do artista predileto. E o
cuidado necessário e, quase ritualístico com a sua manutenção? Solução, esponja
para retirar o pó, plástico para proteger, antes de guardar na capa de papelão
com um desenho psicodélico ou uma fotografia do pop star na capa.
Não podem ser esquecidos os
compactors. Pequenos discos com apenas uma ou duas faixas de música, geralmente
um hit.
Historinhas infantis povoavam meu
imaginário. O primeiro vinil que ouvi foi numas rápidas férias em Caetité com
Tio Paulo e Tia Valdirene, quando os dois moravam numa casinha em frente à casa
de Tião Costa, na Rua Saldanha.
Eu voltava das minhas primeiras
férias depois de ter vindo estudar em Salvador, estava com 06 anos. Lembro que
fiquei horas impactada com a capa do disco, os quatro animais: a gata, a
galinha, o cachorro e o jumento. Coisas de Chico Buarque para as filhas e
coisas de Chico Buarque fogem a qualquer tentativa de elucidação e
discernimento como toda obra prima que se preze. O som naquele primeiro momento
não mexeu comigo, mas o LP sim.
Mais tarde ganhei o meu próprio
exemplar de Os Saltimbancos. Choca galinha, só chocava... E, ouvi muito, muito
mesmo, tanto ou até mais que a coleção Disquinho que trazia histórias incríveis
como da velha Firinfinfelha e o Macaco Simão, A Roupa Nova do Rei, A Cigarra e
a Formiga, João e Maria e A Bruxa.
Hoje vejo surgindo inúmeros
contadores de história geniais, algumas crianças até, gente desenvolvendo no
imaginário infantil, sua ancestralidade, sua cultura, seu sonho e sua magia.
Vida longa a todos os
saltimbancos e aos contadores de história.
Alyne Costa, 15/02/22
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