O Circular e o Passe escolar
O Circular e o Passe Escolar
O primeiro circular de Salvador
surgiu aproximadamente por volta de 1982/83, saía do Campo Grande para a Praça
da Sé e vice versa, a Estação da Lapa estava em fase de acabamento, mas a
Ipitanga estava lá firme e forte levando todo mundo para Brotas. Aonnnnnde que
Brotas ia ficar de fora?
E, foi mais ou menos nessa época
que surgiu o passe escolar, vinham em cartelas e eram destacáveis o que
facilitava enormemente a sua função ambígua, ou seja, não servia apenas para
pagar o buzú, rolava roleto de cana, algodão doce e ameduins (torrado ou
cozido).
Naqueles idos era uma viagem
longa sair do Garcia pro Campo Grande e pegar o circular pra saltar na Lapa e
da Lapa pegar outro pra chegar lá na Cruz da Redenção. Muita fome, muito sono,
muita sede, muito enjôo... E a Ipitanga estava lá com seu ônibus laranjão de
letras pretas: IPITANGA.
O circular era branquinho com
detalhes azul e vermelho. Nessa época em que já saíamos sozinhas da escola
íamos em bando e sempre passando dicas para fugir dos assaltos e assédios (dos
mais leves às mais absurdos), por exemplo se a calçada estava estreita, era
melhor não ficar escondida entre a calçada e os automóveis cujos proprietários,
temerosos de danos, estacionavam na calçada e o trânsito fluía louco. Tinham os
guardas de trânsito, mas eram uns muito bonzinhos e educados, essas malditas
cartelas nem sonhavam em aparecer (malditas ou benditas? Sei lá, viu?).
Foi bem nessa época que Ritchie
que havia estrondado nacionalmente com “Menina Veneno”, lançou aquela música : “Você
passou num circular pela praia do Leblon...”.
Leblon? Não. Era Doceria Nubar no
Campo Grande, Primavera e Savoy lá na altura do Relógio de São Pedro.
Inesquecível e insubstituível
salada de frutas da Savoy.
Na verdade o passe escolar surgiu
primeiro que o vale transporte, tenho quaaase certeza! Mas os dois tiveram o mesmo
destino: Seu objeto não era o contrato celebrado ao rolar a borboleta, mesmo
porque, quem nunca deu uma traseira que atire o primeiro Miguelito.
Alyne Costa, 23/04/22
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