Minha amiga, o velhinho do táxi e a exposição de Van Gogh
Logo que me separei eu fiquei na merda, na merda mesmo, de cabeça, tinha medo de andar na rua e um dia peguei um táxi com um velhinho lá na Igreja da Graça, um fofo, todo educadozinho que eu caí na besteira de pegar o whatsapp dele porque aquele velhinho nunca na vida ia me fazer mal.
Gente, não é que no outro dia cedo acordo com uma mensagem do velhinho em áudio perguntando se eu era casada. Eu quis morrer, mas antes de bloquear respondi:
- Pelo amor de Deus, meu Senhor.
Liguei pra minha amiga que vou chamar de Brotoeja porque ela é muito, muito, muito tímida e contei e ela no lugar de me consolar teve uma crise de risos, Brotoeja ainda bem que demorou de te ver poque eu fiquei muito retada com você.
Brotoeja tava encafifada com o mestrado e um dia sabendo que eu tava dura, literalmente na Tonga da Miironga do Cabuletê, resolveu me presentear com a grana da exposição de Van Gogh, eu amei e fui na hora, me perdi entre aquela coisa maravilhosa que só Van Gogh poderia fazer, tirei fotos e mais fotos e a grana ainda sobrou pra comprar dois imãs de geladeira.
Brotoeja é uma amiga que eu amo muito, daquelas que sobreviveu aos tempos de colégio, mas o velhinho do táxi aparentemente inofensivo nunca saiu da minha cabeça.
Mas que cara de pau! Se eu tava na merda acabei achando que o único homem que me apareceria na vida era aquele velho e Brotoeja rindo, a expo de Van Gogh a redimiu, mas eu nunca, nunca mais na vida acho nenhum velhinho fofinho e inofensivo, eu devo ter ficado uns quinze dias sem sair de casa achando que ia encontrar o pretendente na rua.
Enfim, queridas, cuidado, os velhinhos também são pedra de dar em doido.
Alyne Costa, 17-08-26
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