Domingo de páscoa. Final de feriado, cidade vazia e alguns
turistas transeuntes.
No banco do carro do motorista de táxi, uma toalha do Bahia
anunciava a primeira partida da final do Baianão.
Noutro carro estacionado mais adiante, uma toalha dos Filhos
de Gandhy cobria o volante.
Sol quente de 14 horas da tarde, anúncios de imóveis para
venda/locação.
Desço a Avenida deserta e chego em casa, ao abrir o portão
avisto de longe o rapaz do pitbull.
Após o final do clássico desço pro supermercado, vazio e com
prateleiras cheias de produtos com preços os olhos da cara, minha cara pálida
ainda se acostuma com a nova face dessa cidade ainda cheia de ritmos, mas que
hoje caminha a passos tensos...
Lembro de uma canção de Edson Gomes das bem antigas, tanta
violência na cidade... Não há nada de novo na violência de Salvador. Talvez ela
esteja mais nítida...
Sigo pra fila do caixa com poucos itens na mão.
Uma criança brinca com um pequeno e simples avião de
plástico com gravuras de desenho animado, brinca e não faz caso do enorme ovo
da páscoa que a mãe estava comprando quando o domingo já findava e, certamente,
o preço do produto estava a seu alcance.
Renasce uma esperança. Meu Deus, mantenha em mim os olhos
daquela criança.
Alyne Costa, 01/04/2024
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