Ilísia
Eu achava Ilísia fumar cachimbo a coisa mais linda do mundo.
Sentada, de coluna já curva, no alpendre da casa, macerava o
fumo de rolo e preparava.
Vinda lá do Iuiú, aquelas terras de parentes que eu não
conheci, com um lenço amarrado na cabeça, pitava que era uma belezura de se ver
e eu sentada, no seu encalço, não perdia um detalhe, um gesto, um pequeno traço
daquele ritual, místico e solene.
Não tinha brincadeira no mundo que me roubasse daquela
presença, da riqueza daquela persona e de seu pouco caso de qualquer coisa
mais.
Ilísia, com a pele negra enrugada, mãos escuras do fumo e
sua indiferença a qualquer coisa foi a primeira empoderada que eu conheci!
Alyne Costa, 29/09/2023
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