Rota
Meus heróis estão todos cansados
E meus ombros já não suportam o peso das minhas dores
Não tenho mais esperança nos caminhos de outrora
E o teto está repleto de angústias desenhadas
A poesia triste é meu abrigo sincero
Meu sorriso invisível mora num cheque em branco
Meus sonhos todos mal interpretados
E as cartas do baralho mentem, corruptamente
Asperezas e incertezas, fatiadas em sobremesas
Vou-me embora porta afora
Vou-me
Vou-me
Vou-me para um lugar incerto
Para um reino perdido de Deuses e prantos
Não há para traição acalanto
Nesse reino de maldade e desonestidade
Apenas os morcegos voam
Rendo-me à espera da tal indesejável
E a solidão se faz ponte
Entre o que se foi e o que não mais virá.
Alyne Costa, 23/09/2023
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