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 Minha amiga, o velhinho do táxi e a exposição de Van Gogh Logo que me separei eu fiquei na merda, na merda mesmo, de cabeça, tinha medo de andar na rua e um dia peguei um táxi com um velhinho lá na Igreja da Graça, um fofo, todo educadozinho que eu caí na besteira de pegar o whatsapp dele porque aquele velhinho nunca na vida ia me fazer mal. Gente, não é que no outro dia cedo acordo com uma mensagem do velhinho em áudio perguntando se eu era casada. Eu quis morrer, mas antes de bloquear respondi: - Pelo amor de Deus, meu Senhor. Liguei pra minha amiga que vou chamar de Brotoeja porque ela é muito, muito, muito tímida e contei e ela no lugar de me consolar teve uma crise de risos, Brotoeja ainda bem que demorou de te ver poque eu fiquei muito retada com você. Brotoeja tava encafifada com o mestrado e um dia sabendo que eu tava dura, literalmente na Tonga da Miironga do Cabuletê, resolveu me presentear com a grana da exposição de Van Gogh, eu amei e fui na hora, me perdi entre aquel...
 Fora da Caixinha Sou mesmo feita de abismos Rompimentos abruptos surgem se aguentei demais Não nasci pra ser domada por ninguém Amor que conheci só de Pai, Vô e Vó O resto é máscara que derrete a qualquer frágil raio de sol Sou mesmo feita de abismos As canções me ninam se não há lua no céu Sou fibra de navio Às vezes lânguida, noutras voraz O pranto alimenta as noites preenchidas pelos vazios dos que não sentem Em que me dispo no espelho Sou a primeira e a última Às vezes ribeira Sempre cais Alyne Costa, 16-08-2026
 Nem se eu beijasse Narciso Ou qualquer homem comum, sumiria das minhas lágrimas sua força e sua ternura Eu jamais desaprenderia seu cheiro forte e único que mora em mim Ainda que eu espere por toda vida esse beijo adiado pelo cheiro do cigarro Eu abriria mão de têe-lo navegando entre meus lábios Sua morada E todos os dias, todos eles, bem cedinho Quando eu saio para tomar um café nessa rua cheia de ambulâncias e viaturas, eu sinto sua presença  E peço pastilhas, e mesmo que mude o sabor, sinto seu gosto que é tão meu... Minha casa e meu abismo Meu céu e meu infinito E, na profundidade do meu grito Gerado por seu sabor forte e cálido Sabor que me faz espera, quimera porque é eterno o amor que se fez silêncio e dança nos meus lábios Dóceis e profanos Termos, rubros, suaves e teus. Alyne Costa, 15-08-2026 "Fez saber que ainda era muito e muito pouco" R. Russo

Manacial

Houve o encanto e depois o pranto Houve a delícia de um beijo e depois o desejo Não houve a conversa séria, o papo cabeça e, antes que eu me esqueça Houve o abraço estpontâneo e cheio de medo do rapaz da tatuagem Depois vieram as ervas daninhas, curiosas e ruidosas Um gatilho explodiu em minha´alma e o susto e um surto Houve um erro meu É que eu também cometo absurdos O cume do ciúme Mas ainda arde em minha pele uma saudade... Do que não sangrou, apenas cuidou com zelo de jardineiro cultivando uma flor Já não sei o que é dor Só me sobra amor e me falta Amor Há uma pergunta guardada sob o dicionário perdido na bagunça da mesa Tem jeito? Ah, eu sou tão desajeitada quando estou apaixonada... Não deu tempo falar que eu era doida  Toda atrapalhada! Alyne Costa, 2/08/2026
  Duplas Hoje ao telefone com meu amigo Malc, meu mais novo amigo de infância, falávamos sobre as frustações dos casamentos, as pessoas sabem que não é uma boa, mas insistem na idéia, simplesmente são escolhas e ninguém deve interferir e eu não pretendo repetir a experiência, nada contra quem pense diferente, viva a diferença, e que sejam felizes para sempre os que escolhem a opção pelas bodas. O que na realidade resolvi escrever hoje são sobre a duplas que vi na rua essa semana, dois policiais   bem novinhos que eu parei e bati um papo com eles relembrando a eles a música em que Caetano faz menção a época em que os policiais andavam em dupla chamadas por “Cosme e Damião”, falar nisso já já começa a temporada de caruru. Mas a coisa mais linda que vi foi uma dupla de ciganas elegantíssimas que vi pela janela, tão lindas que eu acordei meu filho para ter certeza que eu não tava vendo coisa. Deviam estar indo a algum ritual cigano. Ter alguém com quem fazer par é uma cois...
  Riso Rezo a reza do riso fácil do riso doce do riso terno Rezo a reza de Maria do riso que soa uma Ave Maria Rezo a reza do riso farto e casto de um pequeno menino Rezo a reza de quem cria de quem procria a sua alforria   Rezo a reza do riso doce ainda que fosse riso eterno Rezo a reza da alegria do riso que abandona a sesmaria Rezo a reza do bicho do mato que gruda feito carrapato Rezo a reza de quem sente de quem pressente e se sustente   Rezo a reza do riso flor de quem encanta um beija-flor Rezo a reza do menino cantante e da menina viajante Rezo a reza da libélula e do grilo falante   Rezo a reza de quem crê no amor e mora do templo do amor Rezo a reza da menina que brinca e do menino malino Rezo a reza de quem recomeça   Alyne Costa, 12/07/2026
  Há dias que nascemos floridos por dentro Plenos de esperanças frescas e saudades mornas Há dias que escolhemos para serem raros Somos cactos belos e com espinhos ou flor de maio apenas terna Há dias que somos coloridos por dentro e cinza por fora Camalões de estimação E esses dias raros em que a maturidade nos visita feito bruma da vida Começa já na infância quando o dia amanhece e um passarinho avisa E o café cheira forte e invade as narinas E a fragrância da vida nos convida a deixar pra trás o que doeu E receber, voluptuosamente, o prazer. O maravilhoso prazer de recomeçar.   Alyne Costa, 7/07/2026
  Eu sonhei com noites azuis repletas de estrelas cadentes E seu sorriso vinha morar em meu braços repletos de abraços e de candura Eu lembro de não abrir mão de você para ninguém Porque de tão lindo seus olhos repletos de estrelas me faziam luzir E hoje eu só queria um trago a menos no meu cigarro Um beijo terno e um abraço cheio de luz Porque a vida é feita de instantes e de magia Eu capricho, vc carta de alforria E pairamos num tempo em que o amor voltava a reinar.   Alyne Costa, 05/06/2026
  Inquietude Sou preenchida de silêncios Quietudes diurnas e noturnas Acho graça de bobagens que povoam meus dias A moça de mochila que me lembrou a canção Tempos Modernos de Lulu Santos A jurista que caminhava elegantíssima pela Avenida e cujo nome é Graça As orações ao longo do dia, ao Bom Jesus e à Virgem Maria O sono profundo mais cedo... A pizza deliciosa ofertada por minha nora O doce turco furtado de meu filho A madrugada, descobertas sobre Rock Mary Enfim, sou preenchida de silêncios e poesia. Alyne Costa, 13/05/2026    
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  Uma reflexão sobre maternidade “Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração dos filhos. Seja feliz, seja feliz.” Caetano e Torquato A raiz a latina da palavra mãe é o termo mater que nada mais é que a fonte, causa ou origem de todas as coisas, conectado também com o termo matéria. A conexão mãe/filho, começa fisicamente na gestação, quando a mãe abriga o filho em seu ventre, o nutre e o gera, normalmente por 9 meses, mas não, não é e nunca será apenas isso, a experiência gestacional acompanha numa dimensão inexplicável, muito além do que pode ser passível de análise esse vínculo de amorosidade. É um vínculo quase sagrado e impossível de ser rompido. Amando-a ou deixando-a a mãe estará sempre lá, insone, orando, perdoando, passando a mão na cabeça porque só a mãe tem a licença poética para fazer isso. Aquele tal estado de poesia, ninguém sabe viver como as mães, lambendo suas crias, pregando um botão, arrumando uma grana e por isso Drummond sabiamente decretou que mãe ...
 Alforria Que os ventos sejam suaves Que toda pele pinte o que sente Que a alma revigore Que todos os sonhos sejam realizados Que os sinos ressoem dobrados e, para nosso espanto, a ternura ceda lugar à ironia Que tudo seja ao ritmo de uma linda alforria Alyne Costa, 24/04/2026
  Reencontro Andei tão distante de mim a ponto de não me reconhecer Quebrei taças, amostras Visitei UTIS Vendi minha vida a quem não valia um conto de réis Hoje me banhei nas águas das matas Verdes, encantadoras, gentis Sobrevivi e vi a poesia que me habita e que não é subterfúgio Tentei me moldar ao que nunca caberia Nem em mim, nem em ninguém E, de repente, desafiei o destino e dormi horas a fio Cansada estava Fiz uma faxina minunciosa Retirei todas as crostas do que eu não sou, e Deus me livre de um dia vir a ser Me vi menina, alegre e inocente Com meus santos, meus quebrantos e feitiços E, nessa vida, breve, tão breve, resolvi não quebrar o celular Nâo trocar o número de telefone Não bloquear ninguém Deixar ir Porque matutanto observei a verdade clara e nua, toda topetuda na minha frente Quando vc se estica demais para caber nos moldes alheios, você abre mão da sua maior fortuna: Ser vc mesma!   Alyne Costa, 23/04/2026
  Nocaute Comovida ante os desacertos Durmo horas a fio Um cansaço que não tem mesmo razão para existir, Mas que existe Porque viver, cansa também Sentir, refletir, sonhar, ousar Tudo, no absoluto e inconcluso da vida Exige energia e vigor Por isso durmo horas a fio Há quem chame de preguiça essa letargia que, muitas vezes, nos doma É cansaço Exaustão emocional A vida ainda que planejada surpreende e acende O acaso então pode até nocautear Não abro mão do tempo que preciso pra me recompor Porque, em quase tudo, mergulho no fundo Não ser rasa é o meu limite E se ouso ultrapassá-lo, posso sucumbir.   Alyne Costa, 20/04/2026
 Solidão no Front Soldados partiram Deixxaram suas mães Suas amadas Alguns soldados voltarão Outros sucumbirão Para isso se fazem os soldados Como se não fossem amados Como se nas trincheiras não brotassem sonhos Como se independente das cores de uma bandeira Suas vidas pulasem barreiras São tão jovenss, mal aprenderam a amar São tão jovens para não retornar Para isso fazem as guerras Para que se morra de amor. Alyne Costa 2026
 Féretro Nesse sol de setembro que nasce Tenho a solidão que escolhi Rabisquei-a a grafite Muros pinchados Bilhetes rasgados Segredos em notas O muro alto me transporta Nua, abro a porta Me deleito noparapeito da janela Namoro a lua, a rua e durmo entre gritos atônitos e sorrisos mudos Creio que meu amor foi embora mundo afora E nesse rumnar da saudade do que não foi vivido Sou espectadora do frio silêncio Dos domadores de lobas Alyne Costa, setembro de 2026
  Testamento   Ouvindo canções eu me vi só Só como sempre fui, com os rabiscos no papel ofício Como Zuzu Angel... Como Renatas, Ritas e Déboras. Me vi só e lembrei seu primeiro olhar. Os gestos marcam uma vida inteira. Não titubeie, ainda somos os mesmos. Somos o primeiro choro e a primeira gargalhada Leve o meu riso feliz, algumas dipironas e a lembrança do meu amor. Alyne Costa, 10/11/2025  
  A Mãe e a Repartição Eugênia chegava cedo na repartição, olhos cheios de olheiras das noites mal dormidas pelas dores que lhe acometiam, doía da nuca à sola do pé. Após falar com os colegas e a chefia abria o computador e fazia suas orações, seu ofício de lidar com gente era repleto do inusitado. Aos 40 e poucos anos um erro de diagnóstico havia aumentado e muito seu peso, corticoide, estava transformada e era raro algum amigo antigo lhe reconhecer. Sentava-se quase escondida, mas alguns dias observava de longe um jovem de olhos parados, observando o ir e vir das pessoas com um classificador talvez com seus documentos mais importantes, parecia pronto a fugir a qualquer momento e trazia no olhar sempre uma despedida. O rapaz às vezes passava horas ali como se hesitando em tomar alguma decisão importante, e seu olhar carregado observava atento o entra e sai da repartição, de vez em quando parecia esquecer seu problema e papeava com alguns cidadãos com um distraído sorriso...
  Não ser ou ser normal? “Um diagnóstico não resume a sua história, um transtorno não te define” Postou minha psicóloga a semana passada e eu acho que ela bebeu na fonte desse pensamento:   "Que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância" . Simone de Beaouvoir Fontes à parte, cai a matutar e a dialogar com minha amiga Alice domingo passado e resolvi escrever sobre isso hoje... A vida não é linear, você não pode se prender a nenhum rótulo ou diiagnóstico posto que a psique humana não é um bolo com receita perfeita, ela muda, o ideal sim é se cuidar e buscar no diagnóstico um ponto de partida para fazer e dar o máximo de si para viver bem. Tomar medicamento sim, bonitinho, mas ir além, ousar, crescer e até às vezes dar um passo atrás para poder dar dois à frente. No mundo pós pandemia o conceito de normalidade que há muito já vinha sendo questionado, mudou. O que é ser normal, quem é normal? Um transtorno de fato não...
 Rosa  Tens a beleza das rosas eternas Aquelas que nascem e amadurecem belas por natureza Singularmente és bela Cálida e ainda que, às vezes escondida nas nódoas do tempo, Tem a ternura das rosas brancas Que pairam mansas em nossas vidas ainda que por raros momentos Assisto tuas pétalas ao vento primaveril, serenando e orando Ainda que as asperezas da vida tentaram tirar-te a beleza Absoluta pairas nos jardins suspensos da modernidade A eterna rosa de meu pai. Alyne Costa, 31/10/2025
  Sobre as dobras do blusão Hoje cedo, meu velho e querido compa Marivaldo (mais querido do que velho) me mandou uma canção de Ednardo que eu adoro e logo em seguida entrou na playlist canções do Belchior e eu fiquei pensando, nada mais latejante na alma do que as canções de Belchior. Na canção Coração Selvagem ele diz: “Quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar que é pra eu ter tempo de me apaixonar.” Isso é tão eu, tão recomendável e sublime, eu não deveria estar mais apta a paixões, sentimento para alguns etaristas muito juvenil, mas a paixão, que segundo Belchior mora na Filosofia é um sentimento que me move e me transmuta, me traz significados e êxtases. Eu preciso de paixões para meu estar melhor no mundo, para acelerar a minha criatividade... E você pode se apaixonar várias vezes e até pela mesma pessoa várias vezes, o amor é mais leve e mais tênue, mas a paixão, ah, nada melhor que a paixão para nos tornarmos locomotivas na vida. Por isso eu sugiro (ah...