Saturday, April 30, 2011

Estrela Guia



Aprendi já tarde a lidar com urgências.
É que sentimentos não se encontram em lojinhas de conveniência...
Ontem meu amor e eu misturamos as lágrimas.
Pude então entender a vastidão da compreensão.
Não fui feita para pressa, nem desespero.
Fui moldada para ter esperança.
E quando ela não chega, me encolho.
Agasalhada, leio os novos poetas...
Novas direções, tantas setas.
Sigo-os em busca do sol.
A minha veia matriz germina sonhos em pedacinhos de algodão.
Lembro da resignação de meus avós.
Da fé, da honestidade e das relações de compadre e comadre.
O respeito por quem tinha estudo.
E qualquer assombro levava-se a dizer: “Misericórdia.”
A vida que levou minha inocência, levou também meus assombros.
Serei eu a poeta dos escombros?
Cantarei o que sobrou?
Não, tenho a esperança que me inunda os olhos.
Tenho o condão do perdão.
E a poesia como estrela guia.

Alyne Costa
30/04/11

3 comments:

Nielson Alves said...

ô Alyne, essa precisão de escrever coisas tão saborosas, que ultrapassam a lei do entender físico.Eu também sinto essas nobres lembranças e despedidas de lugares de gestos de coisas situações e sentidos.
O honroso mesmo, e a escrita que nos dá o fôlego certo de sobreviver em meio tudo que nos cobre a alma.
Fico muito agradecido por te ler e encontrar nas tuas palavras tantos 'eus' meus

Cafundó said...

Nielson, essa é a sina do poeta. Por isso a poesia é universal,fico imensamente feliz com suas palavras... Um abraço!

Mensagem Efêmera said...

A estrela mais brihante do firmamento!