Absorta
As cores não me concentram, me absorvem
Minhas multifaces se revelam em matizes
Por vezes sou intensa e loucamente rubra
Noutras, leve azul piscina
Meu bem querer tem cor de dendê
Mexe por dentro feito não sei o que
Enquanto meu gato adormece no meu colo
Sonho com telas e lápis de cor
Das coisas que ainda não rabisquei
Meu cérebro se reparte em instalações
Buzinas, lentes, semáforos me azucrinam
E o que me habita de lucidez navega em oceanos marrons
Sou crespa, ácida e meu peito é pura candura
Se me queres louca, aqui estou
Se me queres aflita, bem mais bonita,
Alyne Costa, 20/12/2023
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