A Menina e o Manacá

Lembro do portãozinho dos fundos e do pé de Manacá que me fazia sombra e me cobria de flor.Ficava quase em frente ao portãozinho. E eu sentada no reinado dos meus cinco anos tirava as botas e ali ficava, à sombra do Manacá, domando formigas e rolando com a cachorrada.
Era muito cachorro solto no quintal. Uns quinze. Bob e Dinga, os preferidos, parceiros e travávamos diálogos e estratégias para abrir o portãozinho e ganhar mundo da rua.
Era uma casa estranha com dois velhos com as feições de tristeza. A velhinha fazia farofa de couve, mas me sentava em frente à tv para ver Tom e Jerry. O velhinho comia banana amassada com um pouco de farinha, como sobremesa. E me dava goiabas. Ia à missa todos os dias cedinho pela manhã e tinha uma cara de medo. Não era um medo qualquer era um medo resignado. Um dia levaram a velhinha. Tempos depois o velhinho fugiu.
E a casa ficou só. Depois foi divida ao meio: um filho de cada lado. Como se a loucura admitisse cercas.
Eu não sabia que morreria o manacá, o portãozinho (meu ponto de fuga) viraria muro e a alegria de netos corendo, cachorrada latindo, flores nascendo nas jardineiras deixariam para sempre de existir.
Eu queria atravessar o muro do passado e retornar ao pé de manacá porque esta menininha ainda mora em mim e o portãozinho do fundo dava pra rua e eu até hoje não consegui fugir, tudo vive e martela no fosso da minha memória.
Fugir com a cachorrada pela rua seria minha redenção, mas o passado é assim uma quase raiz fincada pra sempre nalgum ponto da alma. Não há mais cachorrada, nem jovens sonhadores e sábios tomados por loucos, nem velhos com medo de falatório, nem filho predileto, nem portãozinho e nem manacá.
Ainda há a casa... Mas não há mais varandal, nem uma mulher que fazia farofa de couve e doce de leite e muito menos um manacá desabando flores e abafando dores.
Restou a menininha na alma da poeta, procurando portões por onde fugir e uma vaga idéia do que podia ser diferente.
Era muito cachorro solto no quintal. Uns quinze. Bob e Dinga, os preferidos, parceiros e travávamos diálogos e estratégias para abrir o portãozinho e ganhar mundo da rua.
Era uma casa estranha com dois velhos com as feições de tristeza. A velhinha fazia farofa de couve, mas me sentava em frente à tv para ver Tom e Jerry. O velhinho comia banana amassada com um pouco de farinha, como sobremesa. E me dava goiabas. Ia à missa todos os dias cedinho pela manhã e tinha uma cara de medo. Não era um medo qualquer era um medo resignado. Um dia levaram a velhinha. Tempos depois o velhinho fugiu.
E a casa ficou só. Depois foi divida ao meio: um filho de cada lado. Como se a loucura admitisse cercas.
Eu não sabia que morreria o manacá, o portãozinho (meu ponto de fuga) viraria muro e a alegria de netos corendo, cachorrada latindo, flores nascendo nas jardineiras deixariam para sempre de existir.
Eu queria atravessar o muro do passado e retornar ao pé de manacá porque esta menininha ainda mora em mim e o portãozinho do fundo dava pra rua e eu até hoje não consegui fugir, tudo vive e martela no fosso da minha memória.
Fugir com a cachorrada pela rua seria minha redenção, mas o passado é assim uma quase raiz fincada pra sempre nalgum ponto da alma. Não há mais cachorrada, nem jovens sonhadores e sábios tomados por loucos, nem velhos com medo de falatório, nem filho predileto, nem portãozinho e nem manacá.
Ainda há a casa... Mas não há mais varandal, nem uma mulher que fazia farofa de couve e doce de leite e muito menos um manacá desabando flores e abafando dores.
Restou a menininha na alma da poeta, procurando portões por onde fugir e uma vaga idéia do que podia ser diferente.
Alyne Costa
Brumado, 22 de março de 2007
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