Abraçando o Desespero

Parecia que andava de patinete por alamedas de um sonho doce. Uma fragância suave de jasmim me invadia e eu tinha vontade de viver de novo aquele viver inocente da infância não essa vida às avessas cheia de pressas e falsas respostas.
Eu lia os versos de Manoel de Barros e observava uma tela de Gustav Klimt e tinha uma súbita certeza que algumas pessoas são oníricas e necessárias a existência das outras porque o ser humano sem sonho está fadado a morrer de fome da vida.
Eu já havia tentado toda espécie de cura para meu desespero. Confesso que já havia feito consulta a uma médium que me fizera tomar um banho de schincola que me rendeu uma boa gripe, mas a cura não vinha...
A minha indignação morava solitária em meu peito junto com um grito preso na garganta, feito feto morto que não saía e minha barriga crescia como se vida havia ali dentro, mas não era vida, era dor.
Eu seguia grávida daquela arbitrariedade que tirara o chão e me fazia ter sentimentos ocos que não me agradavam porque de fato não me pertenciam, pertenciam ao grito que não saía. Um grito humilde, subjugado, covarde, carente de eco e sem esperança.
Até que uma hora imprevisível e desapropriada ele saiu e eu vi o anjo negro voar para longe de mim.
Eu pude ver a cor da Liberdade! E abracei meu desespero, meu destempero e meu desequilíbrio porque preciso deles para me sentir viva.
Alyne Costa
29/05/11
Comments
=)
bjs, querida.