Hora de Um Café

E uma absurda felicidade me invadira com o frio daquela manhã. Morava no cinza daquelas nuvens. No rádio que alternava notícias e canções que eu não dava muita importância porque fazia um absurdo silêncio em mim...
E enquanto o silêncio reinava eu sentia fome e tive vontade de um café que não veio porque eu tinha preguiça de me desgrudar da coberta. Queria abraçá-la assim pelo resto do dia, deixando na mente reinar fantasia.
O telefone tocou, mas quando atendi a ligação caiu e não havia como retornar porque era um número não identificado e nada importava porque eu também não me lembrava qual era a data nem que dia da semana. Não tinha mesmo nenhum compromisso.
E nem mesmo aquela preguiça e sua felicidade eu precisava identificar porque nenhuma palavra a traduziria, talvez alguma canção, um hino ou recordação de infância...
E entre tanto dormir e acordar eu acabei sonhando com maçãs do amor coloridas o que me trouxe de novo uma fome diferente de nada que existia na cozinha.
Era uma espécie de orgasmo sem macho, de parto sem filho e nem se pode chamar de felicidade clandestina porque de tão legítima eu me dava alforria.
O rádio insistia em aumentar os devaneios quando tocou o interfone e o homem do gás me lembrou que já era mesmo hora de um café.
Alyne Costa
9/05/11
Comments
lembrou-me alguns anos atrás. uns 10 mais ou menos. rsrs
bjsmeus
Adoro seu textos e seu escrever e tão absurdo de lindo!
beijão flor
Post e blog.